Os erros e acertos de grandes líderes corporativos projetados nos resultados das organizações têm trazido à tona novas maneiras de pensar a liderança e o papel do líder.
Comumente relacionamos o ato de liderar a iniciativas de orientação, comando ou controle com base em crenças e conceitos da pessoa que lidera, partindo do princípio que esta possui competências de destaque e foi preparada para ocupar o posto. Mas até que ponto liderar significa determinar ou direcionar para que as coisas sejam feitas dentro do padrão do líder?
Penso que o ato de liderar tem maior relação com a capacidade de inspirar pessoas e organizá-las em torno de objetivos comuns, do que propriamente com a capacidade de comandá-las ou administrar suas capacidades rumo a estes mesmos objetivos. O ato de liderar, ao contrário do que comumente se pratica, está mais próximo da liberdade do que do controle, uma vez que a liderança que inspira deve criar um ambiente que traga à tona o melhor de cada integrante, despertando também a responsabilidade e a disciplina necessárias à execução que levará o time ao tão sonhado resultado que supera expectativas.
Os objetivos coletivos antes dos individuais, os valores organizacionais antes dos pessoais e as crenças coletivas à frente das crenças do líder deveriam ser suficientes para impulsionar facilmente times inteiros para grandes realizações conjuntas.
Mas o grande desafio é, então, posto diante de nós: como nos livrarmos do ego, da satisfação pessoal e do status que misturam a liderança à hierarquia e impedem o líder de dar voz e espaço a todos os componentes do seu time? Como abrir mão de antigas crenças individuais em prol de uma construção coletiva que seja motivadora para todos? Libertar-se das amarras e benefícios individuais em nome do coletivo não á para qualquer um! Conceder liberdade criativa a um time, muito menos!
O primeiro grande desafio da liderança está, portanto, dentro de cada pessoa que se dispõe a abrir mão do seu próprio EU em prol do brilhantismo e da riqueza do coletivo, sempre que necessário!
Brasília, 27 de outubro de 2014.
