Minha Cozinha, Minha Vida

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Escrevi este texto há quase 4 anos. Na ocasião, meu querido Luciano pediu para publicá-lo em seu blog Café com Deus. Ontem lembrei dele e resolvi publicá-lo novamente aqui no BrainHeart.

Mesmo um pouquinho antigo, ainda faz todo o sentido pra mim!

Aí está: Minha Cozinha, Minha Vida!!!

Quem me conhece sabe que estou vivendo nova fase de vida. Hoje está ótimo para ilustrar: tarde de 7 de setembro, feriado, sozinha em casa. A filha estudando lááááááá longe, o filho passando o dia estudando para uma prova na casa de um amigo onde dormiu e o marido saiu para estudar também. Nada de amigos por hoje. Ou seja, sobrei. Mas pelo menos desta vez eu estou feliz.

Bem, como o tempo está me sobrando, eu descobri que com mais tempo eu consigo até pensar melhor.

Aí, estava eu lavando a louça do almoço que eu preparei para mim e para o Lu em menos de 10 minutos (é, eu sou ninja na cozinha!!!) e me veio à mente um comparativo interessante de como minha relação com a gastronomia, minha geladeira, minha cozinha reflete minha relação com a vida.

Funciona mais ou menos assim: quando estou em casa e tenho que preparar alguma coisa para comer, eu abro a geladeira, depois o armário de comida, analiso o que tenho disponível em ambos e a partir daí eu invento o que eu vou fazer. Raramente percorro o caminho inverso de pensar em algo para comer para depois sair com uma lista a fim de comprar os ingredientes – geralmente só faço isso para uma ocasião específica ou mediante pedidos especiais. No dia a dia, inclusive em situações especiais do dia a dia, primeiro eu vejo o que eu tenho e depois eu penso no que posso criar de bem gostoso com o que eu tenho à disposição na minha cozinha.

Na vida, sou mais ou menos assim também, como sou com a minha cozinha. Procuro fazer coisas gostosas a partir do que tenho disponível. Raramente fico idealizando fazer algo cujos ingredientes não tenho à minha disposição.

O primeiro exemplo que me foi marcante é data do ano em que fui morar nos Estados Unidos como intercambista. Eu saí de uma cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, onde eu era uma mocinha completamente independente com uma vida social bem agitada, e fui morar no interior da Flórida, onde não havia sequer meio de transporte que pudesse me levar e trazer para qualquer lugar. Em pleno tédio, comecei a transformar as coisas rotineiras em diversão. E tudo passou a ser interessante: ir ao supermercado (antes eu odiava ir ao supermercado), andar de bicicleta, visitar a host mom no trabalho (e ela trabalhava no hospital, véi!!!), montar quebra-cabeças, bordar (bordar???????????), malhar (malhar????????? Como é que isto pôde um dia ser divertido?)… Enfim, consegui viver feliz com o que estava ao meu alcance. E fui de fato muito feliz durante o meu ano de intercâmbio.

Ao longo dos anos, tenho passado por altos e baixos. Altos bem altos e baixos bem baixos. Tirar proveito dos itens à minha disposição nas alturas foi bem fácil. Mas enxergar a felicidade disponível no baixo foi um desafio incrível. Nos períodos de carestia na vida adulta, descobri que o dom de criar a partir do que há disponível é na verdade uma característica infantil que se perde pouco a pouco na medida em que o tempo passa para nós.

Mas para a minha felicidade, ainda hoje consigo, na maioria das vezes, viver com o que tenho. Não seria certo eu dizer que simplesmente me contento com o que tenho. Isso tem parentesco com a mediocridade e eu tenho um problema com ela. O que eu consigo, na maioria das vezes, é encontrar felicidade no momento presente, mesmo quando estou a caminho de algo a ser conquistado. Uma vez me disseram que eu sou engraçada porque o melhor é sempre aquilo que eu tenho! Hahahaah! Mas é óbvio! Se isso é o que eu tenho, isso é o melhor. Sobrevivência pura. E para sobreviver, cada um encontra seus meios.

Na verdade, me considero uma pessoa muito sonhadora. Mas sou uma sonhadora realista (isso existe?) e sempre estabeleço novas metas a partir dos estágios que alcanço. Sempre fui assim. Sonho e persigo. Alcanço e planejo de novo. Mas, na maioria das vezes, consigo curtir o caminhar, a construção, a conquista. Quando falho em reconhecer que o que tenho hoje deve me bastar, luto com a orientação de Jesus naquele verso bíblico que nos orienta assim: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?” (Mateus 6.25). Haja fé!

Não quero aqui dizer que eu sou muito legal ou especial porque na maior parte do tempo eu tenho esta habilidade. Quero apenas compartilhar algo que considero ser uma estratégia para curtir a vida, uma espécie de pílula do contentamento. Por que eu vou ficar planejando comer filé com fritas quando só tem alface e peito de frango na minha geladeira? Vou procurar uma receita de peito de frango e curtir com alface, ué!

Ah! Acabei de me lembrar como aprendi a fazer macarrão ao alho e óleo: estudante universitária, república, 10:30 da noite, aproximadamente, chego da biblioteca morrendo de fome e com zero de dinheiro. Abro a geladeira, encontro alho. Abro o armário encontro um pacote de macarrão. Mais NADA!!! Penso: já ouvi falar num tal de “macarrão ao alho e óleo”. Como óleo sempre tem mesmo, o resultado foi ótimo! Voilà!!!

E assim tem sido: com filhos pequenos, abracinhos que me fazem sorrir. Com filhos grandes, colo livre para os livros. Com o marido, beijos. Sem beijos, com expectativa. Com sol, churrasco no quintal. Choveu? Barulhinho de água na janela da sala de TV! Com dinheiro, restaurante. Sem dinheiro, o aconchego da minha cozinha. Uhmm! Vamos ver o que temos aqui na geladeira…

Simone Maia, Brasília, 07 de setembro de 2011.

 

O DP e o RH

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Uma frase que ouvi hoje pela manhã durante breve conversa virtual com uma colega de profissão despertou a vontade de compartilhar um princípio de RH no qual acredito. Fico me perguntando se tenho companheiros de crença!

Enquanto conversávamos sobre sua recolocação profissional, ela disse a seguinte frase:

– “Consegui uma vaga que dizia ser de RH, mas a maioria das atividades é de DP”.

Havíamos nos cruzado rapidamente no aeroporto e eu já estava dentro do avião, prestes a decolar, de sorte que não teríamos tempo de desenvolver a conversa. Mas caso tivéssemos, minha próxima frase-resposta seria:

– “E o DP não é parte do RH”?

Não venho aqui, de forma alguma, julgar ou recriminar minha colega! Eu entendo o que ela quis dizer. Quero sim falar dos conceitos por trás da expressão que ela disse.

No nosso segmento de Gestão de Pessoas, é comum escutarmos a distinção clara entre DP – Departamento de Pessoal e RH – Recursos Humanos. Ao velho e bom DP as pessoas associam tudo o que é operacional, menor e antigo. Ao senhor RH está associada a estratégia, a novidade, a modernidade e a famosa gestão de pessoas com todas as suas metodologias. Dois departamentos separados: um cuidando de dinheiro e coisas e o outro cuidando de gente.

Pois então!!! Não é de maneira dissociada que os percebo. Eu os considero parte de um único universo. Parte do universo que cuida de gente e de tudo aquilo que é da gente!! Sabe por que? Experimente um belo erro na Folha de Pagamentos por um único mês! Erre só uma vez e experimente o caos no clima organizacional! Não faça os pedidos de vale transporte na data correta, por exemplo. Faça isso e assista de camarote a todo o glamour da estratégia dita “de RH” ir por água abaixo enquanto todos os ramais da área tocam sem parar com pessoas querendo saber o que houve com o dinheiro, com o pagamento do TKT Restaurante, com o vale transporte que não foi depositado.

Acredito na atividade de administração de pessoal (que alguns chamam de DP) consistente e competente como sendo a base para uma estratégia de gestão de pessoas bem executada. Não creio que seja possível inovar, criar e implantar muita coisa se o básico não estiver em perfeita ordem. Não há clima organizacional que resista a pagamentos errados, plano de saúde que não funciona, admissões malfeitas, benefícios pagos fora do prazo. Não há instrutor que tenha sucesso em uma sala de treinamento cujos participantes estejam insatisfeitos porque seu vale alimentação ainda não foi pago.

É necessário destacar cuidadosamente talentos com competências e perfil específico para o trabalho de Administração de Pessoal, assim como o fazemos com os times de Desenvolvimento Organizacional, Remuneração, Gestão por Competências e outros. Não podemos simplesmente mandar para o DP o mais fraco dos colaboradores do “RH”, mas sim identificar pessoas altamente capacitadas com o perfil correto para a natureza da atividade repetitiva a detalhista que lhe é característica. Não me sinto confortável quando presencio menosprezo aos profissionais que executam estas atividades, como se inferiores fossem. Já tentou entender a CLT e conhecer todas as regras e demais leis que regem o dia a dia de alguém que trabalha nesta área?

Enfim! Creio na atividade de administração de pessoal, ou no DP (como preferirem!!) como uma das atividades ou divisões da área de Gestão de Pessoas ou RH (como preferirem!!). Tão importante quanto. Totalmente integrada aos demais subsistemas de RH. Sua equipe deve ser valorizada, capacitada e gerenciada tanto quanto todas as outras equipes que pensam nas avaliações de desempenho, nos programas de capacitação, nas ações de clima, na estratégia de remuneração, que acaba se concretizando em um pagamento que certamente será efetuado por alguém do querido “DP!!!

São Paulo – Brasília, 22 de junho de 2015.

O Poder da Simplicidade

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Vivemos em uma era de complexidades. Das relações ao trânsito, passando por tecnologias e metodologias diversas, quase tudo está bastante complicado. Complicado a ponto de existir sempre alguém ou alguma empresa tentando encontrar uma solução para “descomplicar” algo!

Assim como aconteceu na vida cotidiana, nas organizações o simples foi perdendo espaço para o complexo. Soluções simples, processos simples, métodos simples e pessoas simples deram lugar a sistemas que prometem solucionar os problemas dos clientes, a métodos que prometem reduzir os custos, a técnicas e scripts que garantem (????) a excelência no atendimento e a uma infinidade de metodologias de gestão que fazem brilhar os olhos do mais cético dos empresários.

Há, sem dúvida, uma valorização e um apreço especial pelo complexo. E a sensação que tenho é que quanto mais a gente tenta simplificar, mais a gente consegue complicar. Especialmente no mundo corporativo.

Muito embora estejamos experimentando um tempo de valorização do complexo, curiosamente tenho recebido muitas demandas de consultoria cujo objetivo envolve a simplificação de algum instrumento ou de alguma metodologia – descrições de cargos, estratégias de remuneração, modelos de gestão do desempenho, programas de desenvolvimento. O povo está querendo tudo simples! E eu, claro, estou adorando!

Gosto do simples. Gosto do pragmático. Gosto do que funciona sem complicações adicionais e desnecessárias. Curto ir direto ao ponto sem encher linguiça que desperdiça o dinheiro do empresário e o precioso tempo do colaborador.

Textos diretos, apresentações curtas, relatórios assertivos, sistemas funcionais e amigáveis, PPTs sem pirotecnia, processos e manuais de fácil compreensão, metodologias de controle na medida do eficaz e do necessário, reuniões breves. Agilidade.

Creio que o belo, o excelente e o eficaz também podem resultar da simplicidade!

Se for permitido que tudo seja mais simples, vai surgir o tempo para pensar. A inspiração para criar. A oportunidade para conversar. Sim, conversar!! Conversar para entender, para interagir, para melhorar, para trocar. Quantas ideias fantásticas podem surgir de uma conversa? Quantos problemas podem ser resolvidos em uma conversa? Eu defendo a conversa que produz. A conversa que alegra. A conversa que motiva. E conversa é simples. Baixo custo. Eficaz.

Estou torcendo para o complicado sair de moda. Ficar brega de vez! Quero que o simples volte a imperar. Não aquele simples medíocre, preguiçoso e negligente. Nunca! Almejo sim pelo simples sofisticado que se traduz na resolução, na eficácia, na transparência, na confiança e no prazer da realização descomplicada.

Sonhando e trabalhando para poder ser simples!

Brasília, 17 de junho de 2015.

RH: meu trabalho, minha missão, minha paixão.

 

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Não escolhi esta profissão. Escolhi ser e fazer outra coisa. Mas o RH brotou, aconteceu, fluiu e evoluiu enquanto eu estava fazendo aquela outra coisa que eu escolhi fazer.

Ao longo dos anos, aquilo que era uma habilidade natural se transformou em projeto, em prazer, em ganha-pão em missão e, finalmente, em paixão.

Comecei a trabalhar bem novinha, aos dezesseis anos, em uma pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. Indicada pela escola de inglês onde estudava, dei aulas para as crianças de 1ª a 4ª séries em uma escola local. Naquele tempo, rodava as atividades no mimeógrafo!!! Rsrsrsrs A Geração Y nem sabe que bicho é esse!

Um semestre depois, parti para um ano de intercâmbio cultural como bolsista do Rotary Club da pequena cidade onde morava e, no retorno, estava decidida a prolongar a belíssima experiência internacional pelo resto da minha vida! Feito! Prestei vestibular para Relações Internacionais em Brasília, passei e, aos 18, me mandei sozinha para a capital federal para estudar!

No último semestre do meu curso universitário, eu, apressada, já havia me casado, tido minha primeira filha Luciana e aberto uma empresa de intercâmbio cultural com o apoio do meu marido, meu grande companheiro para todo o tipo de loucura!

No início da minha carreira como internacionalista, o que eu fazia mesmo era me virar com todas as exigências, confusões e dificuldades de uma pequenina empresa brasileira de educação internacional. Foram alguns carnavais até que a coisa se tornasse internacional de verdade! E não posso reclamar! Fazendo o que gostava, rodei o mundo e assim comecei a me situar nessa Terra de meu Deus!

Com o tempo, a pequena empresa que eu dirigia com o meu marido, que havia deixado de ser apenas meu sócio capitalista para seu meu companheiro 24 x 7, se tornou destaque em vendas, em qualidade de atendimento, em eficiência e em crescimento dentre todas as unidades da rede paulistana à qual pertencíamos. Créditos para as estratégias de marketing e de gestão de pessoas totalmente intuitivas que, àquele tempo, faziam parte do nosso dia a dia. O marketing era obra do marido-sócio-marido e o RH o meu próprio laboratório.

Aos poucos, minha natureza professorinha organizada se transformou em uma paixão desenfreada por compartilhar com as pessoas aquilo que eu mesma ia aprendendo sobre o business e tudo que o rondava. Tinha um prazer incrível em dividir o que eu estava descobrindo! De professorinha passei então, a líder de desenvolvimento dos nossos funcionários de Brasília e daqueles dos nossos sócios pelo Brasil afora, os quais se apertavam em uma salinha para me ouvirem ensinar sobre tudo o que eu sabia e que me fazia vender tanto e tão bem, segundo o que os números indicavam.

Entre conferências bem organizadas, treinamentos diversos e um Centro de Serviço Compartilhado inaugurado, fui me apaixonando pela estratégia que envolve gente, atende gente, atrai gente, ensina gente, recompensa gente. Amo gente!!! Assim, a partir da prática, fui estudar e me especializar na ciência que eu já praticava sem saber e sem escolher!

Ironicamente, uma falência 10 anos depois me empurrou para a única outra coisa que eu sabia fazer: cuidar de gente! E foi assim que eu descobri que a paixão e a crença no potencial das pessoas ultrapassavam os limites da minha propriedade e começava a irradiar para qualquer outro lugar que tivesse um ser humano para contratar, um grupo para treinar, uma avaliação para realizar, uma estratégia para pensar! Apaixonadamente, comecei a dividir com outros empresários minhas crenças acerca do valor das pessoas e sua importância para os resultados de suas empresas. Eu estava empolgada, entusiasmada com o que estava sendo dito nos livros e palestras acerca da Era do Conhecimento. O conceito estava em alta e eu tinha pressa em fazê-la acontecer em toda a parte! Louca.

Hoje, é essa a loucura que ainda me impulsiona a descobrir o lugar onde minha paixão seja bem-vinda! Onde a criatividade e as ideias sejam mais valorizadas do que a obediência cega ao status quo organizacional! Onde as pessoas sejam livres para pensar e convidadas a compartilhar aquilo em que acreditam.

Mais simples do que isso, minha louca paixão quer ajudar a construir espaço onde as pessoas sejam verdadeiramente valorizadas por aquilo que têm capacidade de criar e produzir. Lugar onde este discurso batido de valorização das pessoas seja transformado em valor verdadeiro. Lugar onde elas, as pessoas, sejam mais importantes do que o dinheiro na teoria E na prática. Tão simples de entender, tão fácil repetir e tão difícil de praticar…

Procuro este lugar. Se você encontrar, por favor compartilhe para que eu possa novamente me apaixonar!

Simone Maia

São Paulo, agosto 2014.

 

Bienvenue!!

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Volta e meio tenho uma ideia, um insight ou simplesmente uma vontade despretensiosa de deixar trasbordar minha mente e minha alma para o “papel”. Contudo, nunca havia sentido vontade de publicar nenhum dos textos ou artigos que escrevo por entender que ficaria presa, atrelada e comprometida para sempre com minhas próprias palavras.

Hoje, percebi que eu posso publicar livremente e mudar de opinião; posso ter uma nova ideia e sobrepô-la à anterior quantas vezes eu sentir vontade ou necessidade! Afinal, cada vez que aprendo, mudo!

Logo, mudar é bom e agora me sinto livre inclusive para invalidar amanhã aquilo que eu escrever hoje!

Sendo assim, sejam muito bem-vindos ao meu Moleskini virtual!!!

Apesar de ter criado aqui um espaço para mim mesma, resolvi compartilhar sem a pretensão de influenciar ou tampouco agradar. Então, fique à vontade para conversar, gostar ou não gostar, perguntar e responder, concordar ou simplesmente discordar!

Welcome to my World!

Welcome to my Brain!

Welcome to my Heart!

Bye Bye, Kids!!! Hello, my Love!!!

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Sempre me considerei uma pessoa durona e bastante forte, resistente. Apesar de amorosa, sempre fui pouco emotiva. Chorar com filmes? Chorar de tristeza? Sempre estive mais pra chorar de raiva!!! Com uma exceção…

…meus dois filhos!

Apresentação da escola, teatro na igreja, cantoria no Dia das Mães, nota alta, nota baixa, quadrilha de Festa Junina, bilhetinhos, pinturas ou qualquer tipo de manifestação da Luciana ou do Pedro Henrique sempre foram capazes de fazer transbordarem meus olhos!

Tem uma música da Paula Toller que é infalível na arte de me fazer chorar! Fala de filho, claro! Não me recordo de uma única vez que tenha ouvido a música e não tenha chorado. Choro TODAS as vezes que escuto! Chama-se Barcelona 16 e foi composta por Paula para o seu filho Gabriel. Diz assim:

Eu não sabia que existia / Esse outro parto de partir / E me deixar na beira do cais / Filho sempre meu não mais

Eu não sabia que teria / Que ter você pela segunda vez / Dar a luz a arte e ao mar / E a tudo mais que você sonhar

Solta da minha mão / Leva o seu violão / Dentro do mochilão / Leva também o meu coração

Eu não sabia que teria / Que ter você pela segunda vez / Dar ao mundo e a tudo que há / E a tudo mais que você criar

Solta da minha mão / Leva o seu violão / Dentro do mochilão / Leva também o meu coração

E meus filhos se foram!!! Soltaram da minha mão e foram para o mundo levando meu coração.

Educamos nossos filhos de maneira bastante independente para os padrões da nossa cidade e da nossa classe social. Por vezes fomos criticados, mas seguimos firmes na crença de que são um empréstimo de Deus para nós, e não nossa propriedade! São flechas para serem lançadas, como afirma Salomão no Salmo 127: “Os filhos são herança do Senhor, uma recompensa que ele dá. Como flechas nas mãos do guerreiro são os filhos nascidos na juventude. Como é feliz o homem cuja aljava está cheia deles!”

Mesmo tendo me preparado para um dia arremessar minhas flechas, desde que lançamos a segunda delas ainda não consegui achar novo prumo. Agora nem posso arriscar escutar Barcelona 16!!! (Hahahahaha) A partida da segunda flecha acirrou a saudade da primeira e há meses vivo no limbo entre a tristeza de não os ter por perto e a alegria de voltar aos tempos de lua de mel com o Amor da minha vida!

Agradeço a Deus por ter, ao longo dos últimos 22 anos, nutrido nosso amor de casal! Mesmo em meio à correria das fraldas, ao desespero dos choros de dor, às deliciosas gargalhadas infantis, aos passeios exclusivamente para pequeninos, às cansativas “caronas” adolescentes e após os incontáveis Reais gastos, Deus permitiu que nosso amor continuasse crescendo, até o ponto em que percebi que meu coração continuava acelerando todas as semanas ao busca-lo no aeroporto durante os quase 2 anos que moramos em cidades separadas!

Não sei o que seria de mim agora, se não houvesse alegria no reencontro diário, no compartilhar da mesa posta apenas para nós dois, no silêncio do carro, nos inúmeros brindes ao pôr do sol, no aconchego de uma nova casinha pequena! Ai de mim se todo o meu amor tivesse ido junto com minhas flechas…

Oscilando entre a nostalgia e a euforia, ainda não sei o que vou fazer com o tempo que sobra, com os sábados silenciosos e a quantidade de ideias que não vêm acompanhadas de qualquer vontade de me mexer! Assim, vou ficando por aqui, em estado de simples contemplação! Vou esperando o coração de mãe assentar. E quem sabe já será tempo de o netinho chegar??!!!

Brasília, 06 de junho de 2015.