Não escolhi esta profissão. Escolhi ser e fazer outra coisa. Mas o RH brotou, aconteceu, fluiu e evoluiu enquanto eu estava fazendo aquela outra coisa que eu escolhi fazer.
Ao longo dos anos, aquilo que era uma habilidade natural se transformou em projeto, em prazer, em ganha-pão em missão e, finalmente, em paixão.
Comecei a trabalhar bem novinha, aos dezesseis anos, em uma pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. Indicada pela escola de inglês onde estudava, dei aulas para as crianças de 1ª a 4ª séries em uma escola local. Naquele tempo, rodava as atividades no mimeógrafo!!! Rsrsrsrs A Geração Y nem sabe que bicho é esse!
Um semestre depois, parti para um ano de intercâmbio cultural como bolsista do Rotary Club da pequena cidade onde morava e, no retorno, estava decidida a prolongar a belíssima experiência internacional pelo resto da minha vida! Feito! Prestei vestibular para Relações Internacionais em Brasília, passei e, aos 18, me mandei sozinha para a capital federal para estudar!
No último semestre do meu curso universitário, eu, apressada, já havia me casado, tido minha primeira filha Luciana e aberto uma empresa de intercâmbio cultural com o apoio do meu marido, meu grande companheiro para todo o tipo de loucura!
No início da minha carreira como internacionalista, o que eu fazia mesmo era me virar com todas as exigências, confusões e dificuldades de uma pequenina empresa brasileira de educação internacional. Foram alguns carnavais até que a coisa se tornasse internacional de verdade! E não posso reclamar! Fazendo o que gostava, rodei o mundo e assim comecei a me situar nessa Terra de meu Deus!
Com o tempo, a pequena empresa que eu dirigia com o meu marido, que havia deixado de ser apenas meu sócio capitalista para seu meu companheiro 24 x 7, se tornou destaque em vendas, em qualidade de atendimento, em eficiência e em crescimento dentre todas as unidades da rede paulistana à qual pertencíamos. Créditos para as estratégias de marketing e de gestão de pessoas totalmente intuitivas que, àquele tempo, faziam parte do nosso dia a dia. O marketing era obra do marido-sócio-marido e o RH o meu próprio laboratório.
Aos poucos, minha natureza professorinha organizada se transformou em uma paixão desenfreada por compartilhar com as pessoas aquilo que eu mesma ia aprendendo sobre o business e tudo que o rondava. Tinha um prazer incrível em dividir o que eu estava descobrindo! De professorinha passei então, a líder de desenvolvimento dos nossos funcionários de Brasília e daqueles dos nossos sócios pelo Brasil afora, os quais se apertavam em uma salinha para me ouvirem ensinar sobre tudo o que eu sabia e que me fazia vender tanto e tão bem, segundo o que os números indicavam.
Entre conferências bem organizadas, treinamentos diversos e um Centro de Serviço Compartilhado inaugurado, fui me apaixonando pela estratégia que envolve gente, atende gente, atrai gente, ensina gente, recompensa gente. Amo gente!!! Assim, a partir da prática, fui estudar e me especializar na ciência que eu já praticava sem saber e sem escolher!
Ironicamente, uma falência 10 anos depois me empurrou para a única outra coisa que eu sabia fazer: cuidar de gente! E foi assim que eu descobri que a paixão e a crença no potencial das pessoas ultrapassavam os limites da minha propriedade e começava a irradiar para qualquer outro lugar que tivesse um ser humano para contratar, um grupo para treinar, uma avaliação para realizar, uma estratégia para pensar! Apaixonadamente, comecei a dividir com outros empresários minhas crenças acerca do valor das pessoas e sua importância para os resultados de suas empresas. Eu estava empolgada, entusiasmada com o que estava sendo dito nos livros e palestras acerca da Era do Conhecimento. O conceito estava em alta e eu tinha pressa em fazê-la acontecer em toda a parte! Louca.
Hoje, é essa a loucura que ainda me impulsiona a descobrir o lugar onde minha paixão seja bem-vinda! Onde a criatividade e as ideias sejam mais valorizadas do que a obediência cega ao status quo organizacional! Onde as pessoas sejam livres para pensar e convidadas a compartilhar aquilo em que acreditam.
Mais simples do que isso, minha louca paixão quer ajudar a construir espaço onde as pessoas sejam verdadeiramente valorizadas por aquilo que têm capacidade de criar e produzir. Lugar onde este discurso batido de valorização das pessoas seja transformado em valor verdadeiro. Lugar onde elas, as pessoas, sejam mais importantes do que o dinheiro na teoria E na prática. Tão simples de entender, tão fácil repetir e tão difícil de praticar…
Procuro este lugar. Se você encontrar, por favor compartilhe para que eu possa novamente me apaixonar!
Simone Maia
São Paulo, agosto 2014.
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