E se o seu trabalho não lhe desse dinheiro?

palavras-o-vento-leva

Estava aqui pensando e matutando sozinha quando resolvi compartilhar essa e outras tantas perguntas com vocês:

  • Como vocês acham que seria nosso comportamento no trabalho se não dependêssemos ou não fizéssemos questão da remuneração?
  • Você agiria da mesma forma? Ou faria algo diferente?
  • Como seria o mundo do trabalho se ninguém dependesse da grana?
  • Sua escolha seria essa?
  • Você responderia para o mesmo líder?
  • Minha escolha, qual seria?

Creio que se não houvesse dinheiro envolvido no trabalho, esse mundo seria mais genuíno, uma vez que as relações de poder seriam pautadas em competência e respeito, e não em posições conquistadas às custas de influências escusas. Fácil concluir que mais pessoas teriam a coragem de fazer o que gostam e não apenas aquilo que “dá dinheiro”.

Hoje acompanhei o treinamento corporativo ministrado por um colega consultor e em um dado momento comentei com ele que eu falo o que eu penso e tenho vontade de falar. Complementei: “quem não gostar que me mande embora ou não me contrate mais”! Ele respondeu dizendo que é igual e os dois rimos juntos, até porque já me mandaram embora e já deixaram de me contratar por causa da minha convicção de que precisamos falar e escutar para construir um ambiente melhor. O problema é que o nosso modelo vigente permite que alguém seja penalizado por apresentar comportamento divergente. Pois eu e ele não ligamos a mínima por sermos divergentes!!! Gargalhamos!

Não troco minha liberdade de expressão e minha convicção de propósito por grana. Nunca troquei. Dou graças a Deus por isso. Logo, óbvio que já fiquei dura muitas vezes e tive que me reinventar para sustentar minha crença. A boa notícia é: sempre deu certo! A paixão que me move sempre me ajudou a reencontrar meu rumo quando alguém ou algo calou minha voz. Quando silenciaram minha convicção.

A paixão que me move também me ajudou a ganhar alguns títulos e rótulos ao longo do caminho. Dentre as várias pérolas que colecionei, a que mais me fez refletir foi o rótulo de “Resistente”. De tão intrigada, tive que digeri-lo em algumas sessões de coaching.

Ao final do processo, entendi que nunca fui resistente pura e simplesmente por falar, mas sempre fui segura e determinada. Convicta. Sou difícil de ser convencida. Portanto, ameaçadora para alguns. Defeito? Não vejo assim! Apenas uma característica com a qual alguns não têm a habilidade de lidar. Eu sei o que eu quero e, até hoje, as cifras não foram suficientes para me dobrar.

Interessada em me colocar no mundo de maneira construtiva e não reativa, fui me empenhar em ser menos conflitiva e sigo tentando aprender a me comunicar melhor, a escutar com mais atenção e a respeitar os demais pontos de vista antes de poder, se for o caso, não concordar com eles. Durante a jornada, aprendi que preciso ser paciente e delicada. Preciso entender que meu ritmo não deve, necessariamente, predominar. Preciso ser mais compreensiva e resiliente.

Por outro lado, entendi também que não vou aprender a ficar quieta. Não vou calar minha voz apaixonada! Não vou aprender a silenciar diante das coisas que considero injustas ou inadequadas. Sobre estas quero ter o direito de me expressar sem ser ameaçada. Aliás, não tem ameaça maior do que o rapto da minha liberdade.

Para me manter feliz, escolhi contribuir com a sociedade por meio da minha fala. Enquanto falo, me empenho na formação e no fortalecimento de pessoas que não calem umas às outras em busca de autoafirmação desconectada do bem coletivo. Para cumprir meu propósito, preciso apenas viver, sentir, estudar, observar e falar! Falar da minha verdade sem apagar a verdade do outro! Falar de esperança! Falar de possibilidades! Falar com alma! Falar da vida.

E sabe do que mais? Agora as pessoas e as empresas me dão dinheiro para eu falar!!!

Vai entender!…

4 comentários sobre “E se o seu trabalho não lhe desse dinheiro?

Abra também seu coração e mente...