
Hoje minha agenda corrida foi deliciosamente interrompida para um almoço com uma mulher maravilhosa de quem tive o privilégio de me aproximar nos últimos meses, como fruto de um daqueles movimentos imprevisíveis que costumo nominar de presentes divinos! O motivo da preciosa pausa foi uma conversa sobre o formato e o conteúdo de um Painel para o qual ela me convidou – um Painel para mulheres cujo tema será “Novos Começos”.
A conversa seguia animada do jeito que eu gosto: um assunto emendando no outro de forma densa e profunda e, ao mesmo tempo, leve e agradável, até que começamos a falar do equilíbrio entre a vida profissional feminina e a maternidade. Buum!!! Assunto matador para duas mulheres independentes e amantes tanto do trabalho quanto dos seus filhos crescidos e já “criados”.
Amei de paixão uma frase que minha nova amiga repetiu algumas vezes, por já ter sido tema de um dos painéis que organizou. Vai mais ou menos assim: “quem fica se frustra e quem vai se culpa”. Simples assim.
Nós mulheres vivemos o dilema da cobrança – temos que ser as melhores esposas, as melhores mães, as melhores profissionais. Um polvo de mil braços capaz de dar conta de tudo ao mesmo tempo sempre. Cansa só de pensar! Temos uma neura instalada dessa coisa maluca de sermos “melhores”.
Melhores do que quem?
Melhores pra quê?
Será que não podemos nos permitir ser simplesmente mulher? Abrimos uma competição interminável conosco mesmas, com as demais mulheres e com os homens. Aaaah… os homens!!! Quem disse que temos que ser como eles, hein? OK. Muito polêmico. Vamos deixar os homens para outro dia!
Olhando para a realidade das mulheres mães profissionais da classe média brasileira (e aqui é necessário fazer este recorte), penso que a questão não mais reside no dilema entre ir ou ficar, entre trabalhar ou cuidar dos filhos, mas sim em como conciliar a vida profissional com a criação dos filhos, sendo feliz e realizada em ambas as empreitadas. Aliás, quem disse que precisa ser um OU outro?
Nada me leva a crer que nós mulheres precisamos fazer uma escolha definitiva entre ser uma profissional bem-sucedida ou ser uma excelente mãe. É a minha própria história que me convence. Fui mãe aos 21 anos, quando ainda era universitária. Não engravidei por susto ou contra a minha vontade. Escolhi assim! No mesmo ano em que Luciana nasceu abri uma pequena empresa e me formei. Dois anos depois encomendamos o Pedro Henrique! Mudamos para a casa que construímos e seguimos uma vida feliz. Trabalhei até o dia anterior ao nascimento de cada um dos meus filhos. Voltei a fazer de tudo sei lá quantos dias depois. Foi breve!! E caminhei assim, entre mamadeiras, passeios maravilhosos, choros, muitas reuniões, muitas viagens e muitas alegrias ao longo da minha juventude muito corrida e muito feliz!
Não tenho qualquer pretensão de me apresentar como exemplo ou contar minha história como sendo aquela que representa a escolha correta ou a melhor escolha. Tenho sim a genuína intenção de afirmar com toda certeza que é possível criar maneiras e alternativas para fazer tudo aquilo que sonhamos, sem necessariamente termos que optar entre ser mãe ou ser profissional, sendo essa uma escolha que considero muito dura para os dias de hoje. Afinal de contas, estudamos muito, somos ensinadas a ser independentes e conquistadoras de boas posições no mercado de trabalho. No meu caso, também fui ensinada a cozinhar, a cuidar de crianças, a lavar as roupas, limpar a casa, tanto quanto meu irmão! Sou uma privilegiada e aqui repito o meu “Muito obrigada” aos meus maravilhosos pais, que são para mim exemplo de equilíbrio entre a vida profissional e os afazeres da nossa família.
O que faz você feliz? O que você quer? Qual é o seu sonho?
- Ter filhos e deixar de trabalhar? Faça isso!
- Ter filhos e continuar trabalhando? Faça isso!
- Trabalhar e nunca ter filhos? Faça assim!
Apenas escolha, tome sua decisão e seja feliz! Sem culpas e com plena consciência de que sempre temos uma escolha. Não deixe que a sociedade ou seus amigos palpiteiros de plantão decidam o que faz você feliz. E livre-se dos clichês! Quem disse que filho de boa profissional é menino mal-educado? Dizem que sou uma boa profissional e dizem também que meus filhos são bem-educados!!! 🙂
E ao fazer sua escolha, como Consultora de RH e Mãe que sou, peço licença para recomendar que você não deixe de considerar que seus filhos estarão por perto por aproximadamente 20 curtos anos antes de lhe deixarem totalmente só, face a face consigo mesma. Suas noites agitadas divididas entre papinhas, banhos, sorrisos gostosos, brincadeiras e muito barulho poderão se transformar em jantares silenciosos, muitas oportunidades de leitura solitária e inúmeras horas para você passar a sós com você mesma. Que mulher você quer encontrar quando eles, preciosos e amados filhos, partirem felizes para viverem suas próprias vidas independentes de você? Que mulher é esta que estará lá esperando pela mãe dos filhos crescidos?
Eu ainda estou tentando compreender a mulher que existe além dos meus filhos crescidos. Aliás, está tão complicado de entender que eu contratei alguém para me ajudar!
Enquanto a compreensão não vem, preencho meu precioso tempo com longas, intermináveis e deliciosas jornadas de intenso trabalho!
Desejo uma excelente e feliz escolha pra você!
Com amor,
Simone Maia, 45, feliz, consultora de grandes empresas e mãe de Luciana, 23 e Pedro Henrique, 20.
Eu amei demais , mega adorei demais , curti , ploft morri de amar em 1 2 3 !!!
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Você é a minha doida mais amada! Profissional maravilhosa e mãe linda! Que sua carreira dupla seja feliz e abençoada! Também amo você assim como é!
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Excelente e escrito com o coração…Parabéns, Simone, minha amiga e “cunhada” querida”
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Querida, sim… escrito com o coração!
Saudade de você.
Bj
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