Nós, as Mulheres!

Cá estou eu escrevendo durante um vôo. Pra variar!

Na cabine de comando, uma pilota chamada Ariadne. Lindo! Posto máximo na aviação. Da minha cadeira, computador no colo, faço intensa análise de múltiplos dados sobre a situação das mulheres no mercado de trabalho, me preparando para as duas palestras que farei em comemoração ao Dia Internacional da Mulher – uma no Citibank, em São Paulo, e outra no Ministério das Minas e Energia, em Brasília.

Enquanto lia alguns dados, fiquei refletindo sobre minha própria crença de que somos capazes de conquistar de maneira inteligente um belo espaço no trabalho e no mundo por meio da nossa competência explícita. Não sou uma ativista ou militante. Dizem que sou feminista, mas sequer me identifico com o termo. Me identifico sim com as mulheres! Com todas elas! Amo ser mulher! Amo o feminino. Logo, podem me chamar do que ficar melhor para cada uma e cada um!

Tenho um amigo que diz que sou sua “amiga-macho”. Dizem que sou fora do padrão. Sou nada! Qual padrão? Além do padrão do Criador, que me presenteou com a bela e maravilhosa capacidade de gerar vidas e amamentá-las com exclusividade, quem mais estabelece um padrão ou limita atividades para mim e para nós, mulheres? Quem diz quais as profissões e posições podemos ou não ocupar? Quem determina o que eu vou ou não vou fazer? Meu limite é minha própria vontade e minha própria capacidade de realizar alguma coisa. Desde que eu dê conta de realizá-la de maneira ética, com qualidade e segurança!

Vivo em comunidade cristã. E aí sim começa a confusão na cabeça do povo. Diz a Bíblia que devo ser submissa ao meu marido. Eita versículo da controvérsia! Todo tipo de interpretação para gerar conforto no meio da mulherada e não aborrecer os homens que “devem amar suas mulheres como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela”! “Sob a mesma missão” é a interpretação mais confortável para as partes no século XXI. Não bastasse eu ser cristã casada, sou a mulher do pastor. Ish, agora lascou de vez! (Risos!!!) Independente, muda de cidade e leva a família junto, viaja sozinha toda semana, fala por si, participa tanto da roda de conversa das mulheres quanto da dos homens, ganha dinheiro, administra dinheiro, blá, blá, blá. Respeita o marido, contribui ativamente na igreja, arruma a casa, cozinha para si, para o marido e para os amigos, lava a louça, educa os filhos (essa não acaba nunca e eu amo!), cuida da netinha, lava as roupas, vai ao mercado e à feira, administra a diarista, blá, blá, blá. Qual parte mesmo que é minha? Qual padrão mesmo devo seguir? Todas as partes são minhas! Todas as que eu gostar e quiser são minhas! Desde que siga em respeito, harmonia e acordo com aqueles com quem divido a vida, sendo hoje, o mais importante deles o meu marido.

Mas qual é mesmo o marido que vai escolher sua profissão? Qual é mesmo o marido que vai dizer se você pode ou não trabalhar? Por que? Quem disse? Onde está escrito?

Confundo mesmo. Sei que confundo. Pois quem me conhece bem de perto sabe que o Luciano, meu marido, governa minha alma! Ele é o dono dos meus melhores sonhos e dos meus maiores desejos. É a companhia que mais gosto. A presença mais forte e amorosa na minha vida. Meu porto seguro. O ser humano que mais admiro e respeito. Meu acalento e meu maior amor! Mesmo assim, pode deixar que eu pago parte das nossas contas! Meu trabalho escolho eu. “Vou ali em São Paulo e já volto, amor!” Da minha agenda e dos meus clientes cuido eu. Uma coisa não exclui a outra. Esse é meu ponto! Não há padrão, mas sim escolha. Talvez não seja compreendida porque apesar de me submeter à missão  do meu marido, não sou doce. Não sou suave e muito menos delicada. Ao contrário, sou intensa, forte, firme, corajosa, autoconfiante. Só por isso mando em alguém? Em ninguém mais! Luciana e Pedro já partiram para suas lindas vidas! Sou dona de alguém? De ninguém! Mas sou dona das minhas escolhas. Aaaah, mas isso eu sou! Se Deus meu Criador e Pai me dá o direito da escolha, não haverá ser humano que será capaz de me convencer do contrário. De que não posso escolher, de que não posso isso ou não posso aquilo. De que não posso ir, ou voltar, ou amar, ou cozinhar, ou cuidar, ou trabalhar por 20 horas seguidas. Sou dona do meu espaço. Sou responsável pela minha conquista. Sou também apoiada e amada em todas elas. Cedo na vida pelos meus maravilhosos pais, e atualmente pelo meu marido e filhos.

Quem vai dizer mesmo qual trabalho você pode ter? Quem vai determinar mesmo qual posição ou cargo você pode ocupar? Quem vai dizer a quais grupos você pode pertencer na Igreja? Quem vai mesmo determinar o tamanho da sua competência? Quem pode limitar suas conquistas?  Ninguém pode!

Seja linda! Seja plena! Seja promovida! Seja grande! Seja inteira, integral, intensa! Respeite – você, seus pais, seu marido, seus filhos, seus colegas de trabalho, seus amigos. Faça o que gosta! Produza! Ame! Seja a mulher que você quiser ser!

Simone Maia

BSB – CGH, 27 de fevereiro de 2019.

Abra também seu coração e mente...