Fui desafiada pelo meu Mentor a escrever um novo final para o meu texto “Ano Novo Feliz”. Ele pediu que eu pensasse em um final no qual eu não terceirizasse meu futuro. Mais precisamente, ele me convidou a repensar o seguinte parágrafo:
Voltando ao meu 2022: este ano não vou correr para lugar algum. Já cheguei! Bati a meta! Deus me concedeu meu desejo! Corri muito na última década e dei meu sprint final em 2021. Agora vou curtir, vou admirar, vou agradecer. Até que alguém me convide para a próxima maratona e eu decidir sair correndo de novo!
Depois de semanas ruminando sobre o tema e a tal da terceirização do meu futuro deixado à mercê de um convite para que eu pudesse sair correndo de novo, concluí que eu devia estar mesmo inebriada pelo cansaço ou bêbada pelos espumantes do final do ano.
Os motivos para tal conclusão são meus velhos conhecidos:
1º – eu não deixo minhas escolhas por conta de ninguém. Minhas escolhas me dirigem os passos e seria muito básico terceirizá-las agora, no auge dos meus 50 anos;
2º – eu havia acabado de dizer que não queria correr em 2022. E como assim eu digo que vou seguir o convite de alguém para sair correndo de novo?
Analisando minhas palavras à medida em que elas ecoam pela minha mente e coração, retomo minha essência e reafirmo a importância de refletir sobre meus processos, minhas conquistas e os próximos desafios, a fim de fazer escolhas seguras. Escolhas apropriadas. Escolhas segundo minhas necessidades e desejos.
Aprendi com meu Mentor que a vida pode ser melhor interpretada quando comparada ao alpinismo e não à maratona. Amei a metáfora do alpinista sobre os significados da subida, do cume e da descida. Passei os últimos anos da minha vida em uma subida íngreme, cheia de desafios e pedras pelo caminho. Fiquei pendurada na corda algumas vezes e, determinada, cheguei ao cume, de onde enxerguei beleza, amplidão – adoro a amplidão – e experimentei satisfação, prazer, paz e descanso. Queria ficar lá mais um pouco, mas no cume não é lugar de ficar, não é lugar de morar, não é lugar seguro para me instalar. O cume serve para admirar, respirar, agradecer e… voltar! Depois do cume tem a descida de volta ao basecamp. A descida costuma ser mais tranquila, às vezes até mais fácil, mas é preciso atentar para os perigos da caminhada despretensiosa e desatenta enquanto a mente dá voltas rememorando as delícias do cume. Logo, é preciso se atentar para a descida também. Retomar o fôlego, apreciar a vista sob outra perspectiva e aproveitar o conforto necessário para a retomada rumo ao novo desafio.
Ainda não sei qual será o próximo desafio. Mas não estou com pressa. Desisti de ser maratonista correndo cansada para chegar à linha final e desmaiar com a língua de fora.
A partir de agora desejo a concentração da subida planejada, o prazer absoluto do cume estonteante e o prazer da descida revigorante com gosto de vitória.
Feliz 2022! Feliz 2023! Feliz 2024…