O banho e a flexibilidade

Eu e meu marido sempre gostamos de tomar banho juntos. No nosso primeiro apartamento, o banheiro era tão minúsculo que nem cabia um box. E mesmo assim nós dois curtíamos o banho juntinhos. Alguns anos depois construímos nossa primeira casa e decidimos fazer dois chuveiros! Que delícia! Os banhos a dois passaram a ser um momento ainda mais especial. A vida rodou e muitos anos mais tarde alugamos uma casinha e quase não acreditamos quando abrimos o box no banheiro social e “voilà”! Dois chuveiros dentro de uma banheira enterrada que mais parecia uma piscina! E mais recentemente construímos uma nova casa e caprichamos no nosso box com dois chuveiros! Ele é maior que o banheiro inteiro do primeiro apartamento! O dia que o Luciano falou isso no banho, gargalhamos e o coração encheu de gratidão pelas bênçãos que recebemos!

Outro dia estávamos iniciando nosso banho nesse box gigante e enquanto batíamos papo, comecei a observar em silêncio o que fazemos naturalmente todas as vezes que o banho começa: como o cano da água quente que alimenta os dois chuveiros é o mesmo, quando o Luciano começa a temperar a água dele eu tenho que mexer na minha. Quando mexo na minha, desregula a temperatura dele e ele ajusta mais um pouco e eu mais um pouco e assim fazemos umas duas ou três rodadas de ajuste até que cada um chegue na sua temperatura desejada e o banho de fato começa! 

Essa observação silenciosa me levou a refletir sobre o balé de ajustes que é necessário fazermos para que tenhamos relacionamentos saudáveis em todas as áreas da nossa vida. Para chegarmos na nossa temperatura ideal, precisamos ajustar nossos registros à temperatura daqueles que estão ao nosso redor. Até chegarmos no que consideramos ideal, a gente tem que ir ajustando vários aspectos até o momento em que alcançamos a “temperatura” desejada por cada parte. E assim a relação flui igual banho na temperatura certa pra cada um.

Nos ambientes corporativos esse balé de ajustes é primordial para a existência de times saudáveis e de alta performance. A cada mudança interna ou externa ao time, incluindo os movimentos de alguém que entra ou outro que sai, temos que ajustar o nosso tom, o nosso ritmo e a temperatura para acomodar novos desejos, novas estratégias, novos conhecimentos e novas contribuições. Se fôssemos resumir este descritivo em uma ou duas competências, diríamos que os membros do time precisam ter flexibilidade e adaptabilidade.

Contudo, nos projetos de consultoria de desenvolvimento de liderança que realizo é mais comum encontrar uma propensão à rigidez por parte dos membros de um time, do que flexibilidade e abertura para fazer os ajustes necessários e possíveis para que o ‘banho’ seja bom. Na maioria das vezes, cada um defende a sua temperatura, enquanto o outro que se lasque com sua água pelando ou fria pra caramba. Gente, a vida é melhor quando o banho é bom pra todo mundo! Não custa ajustar nosso registro pra lá e pra cá um pouquinho até que todos tenham boas condições para produzir aquilo que é esperado no trabalho.

E assim saio do banho, pego a toalha e insisto na pergunta: quais são os ajustes que você precisa fazer para que a temperatura fique boa pra você e para os colegas ao seu redor? No mundo supercomplexo em que temos vivido, a flexibilidade e a disponibilidade de cada um de nós para ajustar o tom, a fala, a crença, a resposta e, principalmente a pergunta, serão muito bem-vindas!

Abra também seu coração e mente...