Doença que assola a alma. Sim… uma doença.
Pior que as dores físicas que já senti, tem efeito devastador sobre o prazer de viver.
Como vai ser? Quando vai ser? E se não der certo? E agora? O que eu vou fazer? Como eu vou viver???
Antônimo da fé.
Total falta de fé.
A ansiedade revela a cegueira espiritual e o esquecimento absoluto de que existe um Deus Pai. Até parece que já não se conhece o fim!
E se já se conhece o fim, pra que tanta agonia? Pra que tanta correria? Por que tamanha covardia?
Passo meus dias pensando nos próximos dias. Naqueles que eu ainda não sei como serão ou se existirão. O dinheiro para entrar, o filho para ganhar, a filha para se formar, o genro para trabalhar e todos eles para se realizar!
Quando foi mesmo que eu perdi o prazer do presente? Não sei… Não me lembro! Só sei que faz tempo.
Nunca pensei tanto no passado. E o fato do passado não existir mais, faz com que esta seja a mais idiota das atividades cerebrais. Agora tenho a certeza absoluta de que estava certa quando só olhava pra frente. Eu era criticada, mas era mais feliz. Bem mais feliz.
Olhar pra frente gera o sonho, que gera a esperança, a perseverança e finalmente a realização. Afinal de contas, a idealização de algo acaba trazendo à existência as coisas com as quais se sonha. Sempre foi assim! Possuo provas: o marido pelo qual esperei e lutei, o casamento que alimentei, a carreira que disciplinadamente construí e finalmente os filhos a quem fiz crer que tudo é possível!
Tudo é possível? Peraí!!! Quem disse isso mesmo?
Nem parece algo familiar…
Onde foi? Onde está? Quero reencontrar!
Encontrar novos sonhos pra sonhar! Novas coisas para conquistar! Novos projetos para construir! Uma casa? Uma carreira? Uma reputação? Um projeto? Novos amigos?
Queria voltar a ter a intensidade da juventude. Isso sim!!!! A juventude foi a melhor fase. Adoro a fala de uma velhinha que conheço que afirma que o maior mentiroso é aquele que cunhou a expressão “Melhor Idade” para se referir – e consolar – os idosos.
Mas enfim… amanhã é dia de ir para Pirenópolis com meu Amor. Quem sabe vou relaxar, curtir, esquecer, transar, beber, dormir e acordar como se não houvesse amanhã? Quem sabe…
Porto Velho, Rondônia, 20 de fevereiro de 2015.
