Gosto de gente de Graça!

Eu queria viver rodeada de gente autêntica. Gente inteligente. Gente sábia. Gente de verdade.

Queria eu conviver com as pessoas como elas são.

Eu queria conviver com as pessoas sem capa.

Capa de espiritualidade.

Capa de religiosidade.

Hipócritas!

Eu queria viver rodeada de gente que sente. Que sente e conta pra gente.

Queria eu viver com a verdade que vem da alma.

Queria eu conviver com a verdade com ou sem trauma.

Mundo chato. Mundo boring. Mundo fake.

Gente chata. Gente boring. Gente fake.

Gosto de gente de verdade.

Gosto de gente intensa.

Gosto de gente com gosto da verdade.

Gosto de gente que erra. Gosto de gente que acerta.

Gosto de gente.

Cansada.

Cansada de gente perfeita.

Vamos fingir!

Cansada dos idiotas

Muito cansada de idiotas.

Quero viver rodeada de gente! Gente de verdade.

Gente de verdade me achega ao meu Deus.

Gente de verdade me faz ver que sou nada e o Pai é tudo em nós.

Gente de verdade!

Gente de verdade tem sabor!

Gente de verdade tem graça!

Gente de verdade carece de Graça.

Gosto de gente!

Gosto da Graça!

Gosto de gente de graça!

Simone Maia na quarentena por COVID-19

75 days and counting…

Saudades da Quarentena

ponte jk

Vou sentir saudades da quarentena.

Saudades de dormir ao lado dele todas as noites. Saudades de acordar devagar, curtir o cheiro do café preto exalando da cafeteira e dos ovos mexidos quentinhos na varanda com a vista linda da cidade.

Saudades da netinha correndo e pulando no meu pescoço para o beijo melado que marca a chegada da alegria. Saudades da filha passando por aqui para deixar e buscar, no meio da semana sem correria.

Vou sentir saudades do meu home office em boa companhia. Da simplicidade das reuniões virtuais acompanhadas da humanidade própria da vida como ela é. Todas as refeições saudáveis e acompanhada! Nem nos meus melhores sonhos previ tal alegria!

Aqui, sinto falta da correria. Mas já sei que na correria vou sentir falta daqui. Falta de não ter que sair e mesmo assim poder trabalhar o dia todinho com as pessoas e as coisas que eu gosto. Vou sentir saudades de caminhar descalça pelo belo jardim de casa enquanto trabalho ao telefone. Sem ninguém me julgar porque o canto dos passarinhos do Paraíso Verde, que é como eu apelidei nossa casa em Brasília, está atrapalhando a “call”. Vou sentir muita falta de não ter vergonha dos passarinhos do meu home office.

Vou sentir saudades das pessoas falando de amor e compaixão como o Mestre fala. Da solidariedade expressa nas ajudas que vem e vão em todas as direções. Das declarações emocionadas pelas telas dos nossos aparelhos cheios de quadradinhos que revelam a excitação de quem pode ver quem ama. Viva a tecnologia! Obrigada Deus porque agora a turma da resistência não vai mais torrar minha paciência porque meu celular é parte integrante do meu corpo e a mochila do meu computador mais parece um casco de tartaruga.

Sentirei falta das intermináveis taças de vinho que acompanham as delícias que saem da minha cozinha. Das noites batendo papo com ele no sofá, sobre os assuntos que geralmente não temos tempo pra falar.

Estou com saudades dos meus amigos. Não de falar com eles. Mas de cozinhar pra eles e depois dividir a mesa com eles. Saudade dos abraços intermináveis que a gente troca só porque a gente se ama.

Estou com saudades do meu filho. De rir com ele. De dividir o apartamento do meu Paraíso Cinza com ele. De desembarcar rápido e cruzar correndo o aeroporto porque ele já está fazendo a curva do desembarque para me pegar e irmos jantar em algum lugar da melhor cidade gastronômica da América do Sul.

Estou com saudades da quietude dos voos sem internet. Que me conduzem às salas de treinamento barulhentas e cheias de gente sentada bem pertinho. Das conversas de desenvolvimento ao vivo e em cores, que alimentam a alma e a mente. Saudade da parte mais gostosa do meu trabalho.

Mas quando toda essa saudade passar, e vai passar, vou sentir saudades da minha filha. Vou sentir saudade dessa outra saudade que vai ficar. E isso eu aprendi há 30 anos: se um dia a gente se mudar, vai passar o resto da vida sentindo saudades.

Saudade é coisa de quem se movimenta. Saudade é coisa de gente que se joga e vai pra arena, como diz a Brené Brown. Saudade é coisa de quem gosta de viver intensamente. Saudade é coisa boa! Saudade denuncia a felicidade. Saudade revela a plenitude dos momentos que vão passar. Bem-aventurados os que sentem saudade!

Bom confinamento para você! Espero que você também sinta saudades do seu.

 

Minha Quarentena

Vaca

No início resisti um pouco. Afinal, por que eu, saudável e fora do grupo de risco deveria ficar confinada ao invés de trabalhar para manter as coisas rodando? Mesmo assim, ao sair do escritório no dia 17 de março, após ter minha viagem da semana cancelada pelo cliente, vim para casa e dei início à recomendação da OMS, dos governos e dos milhões de chatos nas redes sociais gritando #ficaemcasa na minha cabeça.

Obediente que sou, fiquei entre a minha casa e a casa da minha filha que é minha vizinha durante 24 dias ininterruptos e ontem saí pela primeira vez para ir rapidamente ao mercado. Deprimente. Mascarados na rua, distantes uns dos outros, é uma visão horrorosa. Melhor ficar em casa mesmo. Mas eu definitivamente não entendo porque temos que ficar TODOS presos, ao invés de selecionarmos com inteligência e seriedade aqueles que devemos proteger.

A expressão “confinada” me faz sentir como uma vaca idiota, parte de um rebanho de não-pensantes, agindo em cadeia por consequência de um governo ditador, autoritário e repressor, para o qual a liberdade de ir e vir simplesmente não existe.

Bem, mas certa de que a burra e ignorante do pedaço sou eu, e não os bilhões de seres humanos que estão voluntariamente confinados em suas casas, sigo aqui na quarentena, vivendo feliz! Até ontem.

A primeira semana foi fichinha: moro no paraíso, amo meu marido e estar com ele por vários dias ininterruptos é um presente pra mim; gosto de cozinhar, já sei trabalhar em home office desde sempre, faço reuniões e apresentações online como parte da minha rotina, lido bem com a solidão e o isolamento próprio da minha vida de consultora. Home office igual, só que com companhia. Muito interessante essa primeira semana!

Na segunda semana decidimos hospedar uma amiga amada que mora sozinha e não estava bem. A presença dela na nossa casa trouxe novas conversas e novos pratos na cozinha entre uma reunião e outra de trabalho. Ela entrou na nossa rotina e seguimos a segunda semana com muita chuva e um pouco de tristeza. Não gosto quando o sol não me visita! Mesmo assim cozinhamos coisas gostosas, caminhamos, bebemos vinho, rimos, choramos, nos irritamos. Ao final da segunda semana, comemoramos o aniversário dela com bolo de sereia com cobertura de chocolate feito carinhosamente pela minha filha e minha netinha e cantamos parabéns umas 10 vezes ao som do Bita. Um domingo feliz!

Na terceira semana voltamos a ser nós dois, com as visitinhas agora regulares da nossa netinha Amélie, pois papai e mamãe não tem mais a ajuda da maravilhosa babá e precisam dar aulas online! Quando isso acontece, a menininha bebê sai da escola virtual de lá e vem para o home office de cá! A troca de imagens dos pratos no grupo dos primos já ficou sem graça e a leveza de ficar em casa deu lugar a um cansaço horroroso por ficar entre 10 e 12 horas diárias em frente ao computador como mediador da maioria das nossas relações. E a semana voou. Sem graça. Sem sal. Mas com sol! Viva Deus!

E a quarta semana só seguiu: algumas novas perspectivas de trabalho e renda à vista, boa aceitação de algumas iniciativas digitais trazendo excitação para a rotina que já perdeu a graça. Aliás, detesto rotina. Quando meus filhos eram pequenos e a rotina era necessária, eu sempre dava um jeito de saborear uma quebra vez ou outra, com eles ou sem eles. Vou repetir: detesto rotina, detesto tudo igual, detesto ir para o mesmo lugar e fazer a mesma coisa todo dia. Imagina então a irritação que começou a acontecer FICANDO no mesmo lugar todo dia!

E aí ecoam as vozes da internet: gratidão, tempo de reflexão, oportunidade de repensar a vida. Que romântico! Minha quarentena é bem diferente disso. Não tem nada de romântico por aqui. Tem sim a percepção de que este é um tempo difícil e triste, durante o qual devo prestar ainda mais atenção ao meu redor. Talvez a ausência do romantismo seja porque eu já tente ter a vida em dia. A vida espiritual, principalmente. Não acho que Deus (ou o Universo para alguns dos meus amigos amados) esteja nos castigando e nos deixando “no cantinho” para pensar, como se fôssemos crianças. Por favor! Que inocência. Essa doença é pura consequência de um mundo mau, desregulado, distante do Criador. De governantes inconsequentes, criadores de bichos novos, um atrás do outro. Esse só foi piorzinho. Para nossa desgraça.

Talvez esteja infeliz desde ontem porque eu não preciso ficar aqui confinada para refletir. Eu reflito sendo livre mesmo! Eu amo sendo livre. Eu doo sendo livre. Eu ligo para os meus amigos quando me lembro insistentemente deles, porque creio que este é um sinal do Espírito Santo. Sempre tenho a casa cheia de gente que eu amo e de outras que nem amo tanto assim, mas precisam de companhia e amor. Não preciso esperar acabar a quarentena para abraçar as pessoas que eu amo e encher minha mesa de gente! Faço terapia regularmente para não acumular minhas amarguras e oro com bastante frequência clamando a Deus para me livrar do meu egoísmo, da minha impaciência, da minha impulsividade e da minha boca grande e reclamona. Vivo refletindo. Vivo analisando se estou feliz e mudando para ficar feliz. Vivo correndo atrás da mudança de atitude quando acho que estou sendo uma pessoa horrível. E sou horrível sempre. Ninguém precisa me confinar para eu fazer essas análises.

Então, não tem oportunidade extraordinária pra mim não. Tem sim a privação da minha liberdade. Tem a irritação que acontece porque estou vendo tantas vidas em agonia, tantos perdendo empregos e tantos sonhos empreendedores ruindo. E me irrito mais ainda porque os salários de quem me manda ficar em casa estão garantidos até o fim da existência. Que tal fazermos um combinado? Os salários de todos os políticos e de todo o funcionalismo público só ser pago até maio e depois cada um tem que se virar para pagar boletos, igual o resto dos pobres mortais? Ai, que raiva. Está aí uma demonstração clara do meu pecado.

Bem, pra mim deu. Impaciente? Sim. Arrogante? Para alguns sim. Mas uma coisa é certa: não vou fazer coro com a humanidade para santificar um momento terrível em que o mundo se encontra.

Santidade acontece no dia a dia.

Amor acontece nos encontros todos e de todo dia!

Ajuda ao próximo é estilo de vida e não acontece por campanha.

Abraços? Dou muitos! Quem me conhece sabe!

Gratidão? Sei que tudo o que sou, tenho e faço é por misericórdia e graça do meu Deus Pai. Como não ser grata? Faço declarações de gratidão aos meus clientes e declarações de amor à minha família quase todos os dias.

Amo, honro, respeito e valorizo meus pais idosos como princípio. Não preciso de vírus nenhum para me preocupar se eles estão bem e felizes e seguros.

Propósito de vida já tenho faz tempo!

Amigos à mesa tenho incontáveis. Obrigada, amigos-irmãos amados!

Deus e esperança tenho sempre! Vez ou outra sou discriminada no mundo dos negócios por isso.

Dívida? Já trabalhei por 7 anos só para pagá-las. Vou ter de novo? Talvez! Estou preocupada? Não! Se eu dever, vou dever junto com a maioria das pessoas. Tudo bem também!

Paciência? Tenho pouca por natureza.  Vou aproveitar esses dias para desenvolvê-la. Antes de resolver fugir do meu próprio paraíso para me encontrar livre novamente.

 

Simone Maia, 25º dia de quarentena por Corona Vírus.

Brasília, 11 de abril de 2020.

 

Paciência de Vó!

Paciência de Vó.

Ooops, não!!!

Não é Paciência de que fala. É Paciência de Jó.

Aaa, deixa pra lá! Paciência de , Paciência de , é tudo a mesma coisa! Certeza. Amélie que me ensinou isso.

Amélie é minha netinha de 1 aninho. Linda, tranquila, amorosinha, sorridente, bem-humoradinha e obediente. Fácil de cuidar, gostosinha de amar! Amélie ficou doente pela primeira vez há 1 semana. E tudo para ela virou chatice, choro, dengo e reclamação. Tadinha… E foi aí que descobri algo que eu não sabia: que existia tanta paciência instalada em algum compartimento secreto dentro de mim. Manifesta plenamente pela primeira vez na vida na minha “Pessoa-Avó”. Cuidei dela, alimentei, brinquei, ninei e fiz tudo sem qualquer alteração mínima de humor. Sem um único suspiro. Ela queria colo, eu dava – toda hora, quantas vezes ela quisesse. Ela chorava, eu acalentava, sorria, cantava pra ela. Contei histórias, fiz várias mamadeiras que ela não mamou, tentei vários alimentos que ela não comeu e meu bom humor e meu carinho estavam lá, intocados. E foi quando de repente me dei conta e me perguntei: “Paciência, sua linda, aonde você esteve escondida durante todos esses anos”?

Sempre fui uma pessoa muito impaciente. Ainda me considero assim. Menos do que era quando jovem, mas ainda sou imediatista, acelerada, pra ontem. Mas de repente descobri que tenho a capacidade antes desconhecida de simplesmente manter a calma e fazer o que precisa ser feito com amor e um sorriso no rosto. Aparentemente, coisa típica de vó, porque, como mãe, passei meus dias respirando fundo. Que mistério…

Mas o bom uso da paciência pode extrapolar tanto a nossa vida de avós! Essa é uma virtude necessária para tantas coisas, aplicável a tantas circunstâncias!

Paciência para ensinar algo a alguém e repetir dezenas de vezes enquanto acompanha e aguarda o outro incorporar e desenvolver o aprendizado que recebeu de nós.

Paciência para aprender algo novo e praticar o necessário até o hábito mudar ou o conhecimento definitivamente se instalar.

Paciência para escutar o que as pessoas querem nos contar.

Paciência para acolher notícias tristes e esperar a dor passar.

Paciência para viver os muitos desconfortos naturais da vida no trabalho.

Paciência para aguardar o correto tempo que Deus determina para que algo chegue até nós.

Ou simplesmente paciência para esperar o dia de virar Vó ou virar Jó para conhecer a bendita paciência!

Simone Maia, abril 2019.

Nós, as Mulheres!

Cá estou eu escrevendo durante um vôo. Pra variar!

Na cabine de comando, uma pilota chamada Ariadne. Lindo! Posto máximo na aviação. Da minha cadeira, computador no colo, faço intensa análise de múltiplos dados sobre a situação das mulheres no mercado de trabalho, me preparando para as duas palestras que farei em comemoração ao Dia Internacional da Mulher – uma no Citibank, em São Paulo, e outra no Ministério das Minas e Energia, em Brasília.

Enquanto lia alguns dados, fiquei refletindo sobre minha própria crença de que somos capazes de conquistar de maneira inteligente um belo espaço no trabalho e no mundo por meio da nossa competência explícita. Não sou uma ativista ou militante. Dizem que sou feminista, mas sequer me identifico com o termo. Me identifico sim com as mulheres! Com todas elas! Amo ser mulher! Amo o feminino. Logo, podem me chamar do que ficar melhor para cada uma e cada um!

Tenho um amigo que diz que sou sua “amiga-macho”. Dizem que sou fora do padrão. Sou nada! Qual padrão? Além do padrão do Criador, que me presenteou com a bela e maravilhosa capacidade de gerar vidas e amamentá-las com exclusividade, quem mais estabelece um padrão ou limita atividades para mim e para nós, mulheres? Quem diz quais as profissões e posições podemos ou não ocupar? Quem determina o que eu vou ou não vou fazer? Meu limite é minha própria vontade e minha própria capacidade de realizar alguma coisa. Desde que eu dê conta de realizá-la de maneira ética, com qualidade e segurança!

Vivo em comunidade cristã. E aí sim começa a confusão na cabeça do povo. Diz a Bíblia que devo ser submissa ao meu marido. Eita versículo da controvérsia! Todo tipo de interpretação para gerar conforto no meio da mulherada e não aborrecer os homens que “devem amar suas mulheres como Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por ela”! “Sob a mesma missão” é a interpretação mais confortável para as partes no século XXI. Não bastasse eu ser cristã casada, sou a mulher do pastor. Ish, agora lascou de vez! (Risos!!!) Independente, muda de cidade e leva a família junto, viaja sozinha toda semana, fala por si, participa tanto da roda de conversa das mulheres quanto da dos homens, ganha dinheiro, administra dinheiro, blá, blá, blá. Respeita o marido, contribui ativamente na igreja, arruma a casa, cozinha para si, para o marido e para os amigos, lava a louça, educa os filhos (essa não acaba nunca e eu amo!), cuida da netinha, lava as roupas, vai ao mercado e à feira, administra a diarista, blá, blá, blá. Qual parte mesmo que é minha? Qual padrão mesmo devo seguir? Todas as partes são minhas! Todas as que eu gostar e quiser são minhas! Desde que siga em respeito, harmonia e acordo com aqueles com quem divido a vida, sendo hoje, o mais importante deles o meu marido.

Mas qual é mesmo o marido que vai escolher sua profissão? Qual é mesmo o marido que vai dizer se você pode ou não trabalhar? Por que? Quem disse? Onde está escrito?

Confundo mesmo. Sei que confundo. Pois quem me conhece bem de perto sabe que o Luciano, meu marido, governa minha alma! Ele é o dono dos meus melhores sonhos e dos meus maiores desejos. É a companhia que mais gosto. A presença mais forte e amorosa na minha vida. Meu porto seguro. O ser humano que mais admiro e respeito. Meu acalento e meu maior amor! Mesmo assim, pode deixar que eu pago parte das nossas contas! Meu trabalho escolho eu. “Vou ali em São Paulo e já volto, amor!” Da minha agenda e dos meus clientes cuido eu. Uma coisa não exclui a outra. Esse é meu ponto! Não há padrão, mas sim escolha. Talvez não seja compreendida porque apesar de me submeter à missão  do meu marido, não sou doce. Não sou suave e muito menos delicada. Ao contrário, sou intensa, forte, firme, corajosa, autoconfiante. Só por isso mando em alguém? Em ninguém mais! Luciana e Pedro já partiram para suas lindas vidas! Sou dona de alguém? De ninguém! Mas sou dona das minhas escolhas. Aaaah, mas isso eu sou! Se Deus meu Criador e Pai me dá o direito da escolha, não haverá ser humano que será capaz de me convencer do contrário. De que não posso escolher, de que não posso isso ou não posso aquilo. De que não posso ir, ou voltar, ou amar, ou cozinhar, ou cuidar, ou trabalhar por 20 horas seguidas. Sou dona do meu espaço. Sou responsável pela minha conquista. Sou também apoiada e amada em todas elas. Cedo na vida pelos meus maravilhosos pais, e atualmente pelo meu marido e filhos.

Quem vai dizer mesmo qual trabalho você pode ter? Quem vai determinar mesmo qual posição ou cargo você pode ocupar? Quem vai dizer a quais grupos você pode pertencer na Igreja? Quem vai mesmo determinar o tamanho da sua competência? Quem pode limitar suas conquistas?  Ninguém pode!

Seja linda! Seja plena! Seja promovida! Seja grande! Seja inteira, integral, intensa! Respeite – você, seus pais, seu marido, seus filhos, seus colegas de trabalho, seus amigos. Faça o que gosta! Produza! Ame! Seja a mulher que você quiser ser!

Simone Maia

BSB – CGH, 27 de fevereiro de 2019.

Meu Mundo

Mulher e praia

Hoje em dia entramos tão facilmente dentro do mundo do outro, que às vezes perdemos a referência acerca do nosso próprio!

Viagens, fotos, sorrisos, chegadas e partidas, festas, dramas, protestos, comemorações e reclamações, dizeres e reflexões variadas que nos permitem viajar pelo outro, pelo intangível, pelo inexistente com facilidade jamais experimentada.

De vez em quando tenho a sensação de que estou sendo levada aos poucos pela correnteza leve e despretensiosa da beira do mar, que me afasta da areia da terra firme em direção às águas profundas da comparação, da ambição, da imaginação e da solidão de águas profundas. Quando me percebo afastada demais, bato os braços de volta para a margem, como se acordada de um sonho. Estranha sensação!

Na vida virtual, qualquer realidade é passível de ser cuidadosamente construída! Qualquer realização pode tomar a dimensão do olhar do observador. A criação ganhou asas jamais vistas! Suposições, desilusões, reaproximações!

Há 3 semanas, algumas colegas da minha adolescência tiveram a ideia de reunir virtualmente nossa turma de colégio / segundo-grau / ensino médio. Pode chamar do que você quiser!!! Devem ter demorado 3 dias para achar e “re-unir”, mundo afora, umas 25 pessoas dispersas há quase 30 anos. Siiim, eu disse trinta longos anos de separação. Que coisa maravilhosa! Que milagre tecnológico! Que feito sensacional! Que delícia reencontrar os queridos de tantas risadas e aventuras! Que maravilha passar horas combinando histórias diversas para interpretar quem é quem! Quem é esse? Quem é aquela mesmo? Cadê o fulano? Quem é esse ao seu lado na foto? Lembra de mim? Hahahahahaha!!!! Passei horas conectando nomes a apelidos e rostos, associando cabeleiras e carecas. Me assustando com os cabelos brancos – principalmente com os meus!

Euforia inicial transformada em “Bom dias” e mensagens carinhosas me fazem pensar que aquelas pessoas não existem mais! Somos outros. Transformados. Renovados. Mas, por dias mergulhamos em uma realidade virtual poderosa, capaz de nos transportar da segurança e estabilidade da areia para a excitação de uma nova e desconhecida jornada em alto mar! Capacidade poderosa! Conectar, desconectar, reconectar em segundos.

Invariavelmente, veio a vontade de reencontrar, rever, abraçar e gargalhar. Gargalhar de um tempo recriado virtualmente, em nossa memória e imaginação. Básicos, previsíveis e humanos que somos!

Será a navegação o ópio do nosso tempo?  O quão distante seguimos mar adentro, deliciosamente embalados pelas marés da nossa imaginação?

Sigo refletindo acerca da realidade transformada pela ilusão de um mundo imaterial, feito de ondas que me balançam e me transportam, um tanto quanto tonta, do meu mundo próprio para tantos outros quantos for a minha vontade de viajar!

Simone Maia, viajando, em 26 de julho de 2016.

Ser mãe ou ser profissional? A preciosa busca do equilíbrio na vida feminina

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Hoje minha agenda corrida foi deliciosamente interrompida para um almoço com uma mulher maravilhosa de quem tive o privilégio de me aproximar nos últimos meses, como fruto de um daqueles movimentos imprevisíveis que costumo nominar de presentes divinos! O motivo da preciosa pausa foi uma conversa sobre o formato e o conteúdo de um Painel para o qual ela me convidou – um Painel para mulheres cujo tema será “Novos Começos”.

A conversa seguia animada do jeito que eu gosto: um assunto emendando no outro de forma densa e profunda e, ao mesmo tempo, leve e agradável, até que começamos a falar do equilíbrio entre a vida profissional feminina e a maternidade. Buum!!! Assunto matador para duas mulheres independentes e amantes tanto do trabalho quanto dos seus filhos crescidos e já “criados”.

Amei de paixão uma frase que minha nova amiga repetiu algumas vezes, por já ter sido tema de um dos painéis que organizou. Vai mais ou menos assim: “quem fica se frustra e quem vai se culpa”. Simples assim.

Nós mulheres vivemos o dilema da cobrança – temos que ser as melhores esposas, as melhores mães, as melhores profissionais. Um polvo de mil braços capaz de dar conta de tudo ao mesmo tempo sempre. Cansa só de pensar! Temos uma neura instalada dessa coisa maluca de sermos “melhores”.

Melhores do que quem?

Melhores pra quê?

Será que não podemos nos permitir ser simplesmente mulher? Abrimos uma competição interminável conosco mesmas, com as demais mulheres e com os homens. Aaaah… os homens!!! Quem disse que temos que ser como eles, hein? OK. Muito polêmico. Vamos deixar os homens para outro dia!

Olhando para a realidade das mulheres mães profissionais da classe média brasileira (e aqui é necessário fazer este recorte), penso que a questão não mais reside no dilema entre ir ou ficar, entre trabalhar ou cuidar dos filhos, mas sim em como conciliar a vida profissional com a criação dos filhos, sendo feliz e realizada em ambas as empreitadas. Aliás, quem disse que precisa ser um OU outro?

Nada me leva a crer que nós mulheres precisamos fazer uma escolha definitiva entre ser uma profissional bem-sucedida ou ser uma excelente mãe. É a minha própria história que me convence. Fui mãe aos 21 anos, quando ainda era universitária. Não engravidei por susto ou contra a minha vontade. Escolhi assim! No mesmo ano em que Luciana nasceu abri uma pequena empresa e me formei. Dois anos depois encomendamos o Pedro Henrique! Mudamos para a casa que construímos e seguimos uma vida feliz. Trabalhei até o dia anterior ao nascimento de cada um dos meus filhos. Voltei a fazer de tudo sei lá quantos dias depois. Foi breve!! E caminhei assim, entre mamadeiras, passeios maravilhosos, choros, muitas reuniões, muitas viagens e muitas alegrias ao longo da minha juventude muito corrida e muito feliz!

Não tenho qualquer pretensão de me apresentar como exemplo ou contar minha história como sendo aquela que representa a escolha correta ou a melhor escolha. Tenho sim a genuína intenção de afirmar com toda certeza que é possível criar maneiras e alternativas para fazer tudo aquilo que sonhamos, sem necessariamente termos que optar entre ser mãe ou ser profissional, sendo essa uma escolha que considero muito dura para os dias de hoje. Afinal de contas, estudamos muito, somos ensinadas a ser independentes e conquistadoras de boas posições no mercado de trabalho. No meu caso, também fui ensinada a cozinhar, a cuidar de crianças, a lavar as roupas, limpar a casa, tanto quanto meu irmão! Sou uma privilegiada e aqui repito o meu “Muito obrigada” aos meus maravilhosos pais, que são para mim exemplo de equilíbrio entre a vida profissional e os afazeres da nossa família.

O que faz você feliz? O que você quer? Qual é o seu sonho?

  • Ter filhos e deixar de trabalhar? Faça isso!
  • Ter filhos e continuar trabalhando? Faça isso!
  • Trabalhar e nunca ter filhos? Faça assim!

Apenas escolha, tome sua decisão e seja feliz! Sem culpas e com plena consciência de que sempre temos uma escolha. Não deixe que a sociedade ou seus amigos palpiteiros de plantão decidam o que faz você feliz. E livre-se dos clichês! Quem disse que filho de boa profissional é menino mal-educado? Dizem que sou uma boa profissional e dizem também que meus filhos são bem-educados!!! 🙂

E ao fazer sua escolha, como Consultora de RH e Mãe que sou, peço licença para recomendar que você não deixe de considerar que seus filhos estarão por perto por aproximadamente 20 curtos anos antes de lhe deixarem totalmente só, face a face consigo mesma. Suas noites agitadas divididas entre papinhas, banhos, sorrisos gostosos, brincadeiras e muito barulho poderão se transformar em jantares silenciosos, muitas oportunidades de leitura solitária e inúmeras horas para você passar a sós com você mesma. Que mulher você quer encontrar quando eles, preciosos e amados filhos, partirem felizes para viverem suas próprias vidas independentes de você? Que mulher é esta que estará lá esperando pela mãe dos filhos crescidos?

Eu ainda estou tentando compreender a mulher que existe além dos meus filhos crescidos. Aliás, está tão complicado de entender que eu contratei alguém para me ajudar!

Enquanto a compreensão não vem, preencho meu precioso tempo com longas, intermináveis e deliciosas jornadas de intenso trabalho!

Desejo uma excelente e feliz escolha pra você!

Com amor,

Simone Maia, 45, feliz, consultora de grandes empresas e mãe de Luciana, 23 e Pedro Henrique, 20.

E se o seu trabalho não lhe desse dinheiro?

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Estava aqui pensando e matutando sozinha quando resolvi compartilhar essa e outras tantas perguntas com vocês:

  • Como vocês acham que seria nosso comportamento no trabalho se não dependêssemos ou não fizéssemos questão da remuneração?
  • Você agiria da mesma forma? Ou faria algo diferente?
  • Como seria o mundo do trabalho se ninguém dependesse da grana?
  • Sua escolha seria essa?
  • Você responderia para o mesmo líder?
  • Minha escolha, qual seria?

Creio que se não houvesse dinheiro envolvido no trabalho, esse mundo seria mais genuíno, uma vez que as relações de poder seriam pautadas em competência e respeito, e não em posições conquistadas às custas de influências escusas. Fácil concluir que mais pessoas teriam a coragem de fazer o que gostam e não apenas aquilo que “dá dinheiro”.

Hoje acompanhei o treinamento corporativo ministrado por um colega consultor e em um dado momento comentei com ele que eu falo o que eu penso e tenho vontade de falar. Complementei: “quem não gostar que me mande embora ou não me contrate mais”! Ele respondeu dizendo que é igual e os dois rimos juntos, até porque já me mandaram embora e já deixaram de me contratar por causa da minha convicção de que precisamos falar e escutar para construir um ambiente melhor. O problema é que o nosso modelo vigente permite que alguém seja penalizado por apresentar comportamento divergente. Pois eu e ele não ligamos a mínima por sermos divergentes!!! Gargalhamos!

Não troco minha liberdade de expressão e minha convicção de propósito por grana. Nunca troquei. Dou graças a Deus por isso. Logo, óbvio que já fiquei dura muitas vezes e tive que me reinventar para sustentar minha crença. A boa notícia é: sempre deu certo! A paixão que me move sempre me ajudou a reencontrar meu rumo quando alguém ou algo calou minha voz. Quando silenciaram minha convicção.

A paixão que me move também me ajudou a ganhar alguns títulos e rótulos ao longo do caminho. Dentre as várias pérolas que colecionei, a que mais me fez refletir foi o rótulo de “Resistente”. De tão intrigada, tive que digeri-lo em algumas sessões de coaching.

Ao final do processo, entendi que nunca fui resistente pura e simplesmente por falar, mas sempre fui segura e determinada. Convicta. Sou difícil de ser convencida. Portanto, ameaçadora para alguns. Defeito? Não vejo assim! Apenas uma característica com a qual alguns não têm a habilidade de lidar. Eu sei o que eu quero e, até hoje, as cifras não foram suficientes para me dobrar.

Interessada em me colocar no mundo de maneira construtiva e não reativa, fui me empenhar em ser menos conflitiva e sigo tentando aprender a me comunicar melhor, a escutar com mais atenção e a respeitar os demais pontos de vista antes de poder, se for o caso, não concordar com eles. Durante a jornada, aprendi que preciso ser paciente e delicada. Preciso entender que meu ritmo não deve, necessariamente, predominar. Preciso ser mais compreensiva e resiliente.

Por outro lado, entendi também que não vou aprender a ficar quieta. Não vou calar minha voz apaixonada! Não vou aprender a silenciar diante das coisas que considero injustas ou inadequadas. Sobre estas quero ter o direito de me expressar sem ser ameaçada. Aliás, não tem ameaça maior do que o rapto da minha liberdade.

Para me manter feliz, escolhi contribuir com a sociedade por meio da minha fala. Enquanto falo, me empenho na formação e no fortalecimento de pessoas que não calem umas às outras em busca de autoafirmação desconectada do bem coletivo. Para cumprir meu propósito, preciso apenas viver, sentir, estudar, observar e falar! Falar da minha verdade sem apagar a verdade do outro! Falar de esperança! Falar de possibilidades! Falar com alma! Falar da vida.

E sabe do que mais? Agora as pessoas e as empresas me dão dinheiro para eu falar!!!

Vai entender!…

O Poder da Simplicidade

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Vivemos em uma era de complexidades. Das relações ao trânsito, passando por tecnologias e metodologias diversas, quase tudo está bastante complicado. Complicado a ponto de existir sempre alguém ou alguma empresa tentando encontrar uma solução para “descomplicar” algo!

Assim como aconteceu na vida cotidiana, nas organizações o simples foi perdendo espaço para o complexo. Soluções simples, processos simples, métodos simples e pessoas simples deram lugar a sistemas que prometem solucionar os problemas dos clientes, a métodos que prometem reduzir os custos, a técnicas e scripts que garantem (????) a excelência no atendimento e a uma infinidade de metodologias de gestão que fazem brilhar os olhos do mais cético dos empresários.

Há, sem dúvida, uma valorização e um apreço especial pelo complexo. E a sensação que tenho é que quanto mais a gente tenta simplificar, mais a gente consegue complicar. Especialmente no mundo corporativo.

Muito embora estejamos experimentando um tempo de valorização do complexo, curiosamente tenho recebido muitas demandas de consultoria cujo objetivo envolve a simplificação de algum instrumento ou de alguma metodologia – descrições de cargos, estratégias de remuneração, modelos de gestão do desempenho, programas de desenvolvimento. O povo está querendo tudo simples! E eu, claro, estou adorando!

Gosto do simples. Gosto do pragmático. Gosto do que funciona sem complicações adicionais e desnecessárias. Curto ir direto ao ponto sem encher linguiça que desperdiça o dinheiro do empresário e o precioso tempo do colaborador.

Textos diretos, apresentações curtas, relatórios assertivos, sistemas funcionais e amigáveis, PPTs sem pirotecnia, processos e manuais de fácil compreensão, metodologias de controle na medida do eficaz e do necessário, reuniões breves. Agilidade.

Creio que o belo, o excelente e o eficaz também podem resultar da simplicidade!

Se for permitido que tudo seja mais simples, vai surgir o tempo para pensar. A inspiração para criar. A oportunidade para conversar. Sim, conversar!! Conversar para entender, para interagir, para melhorar, para trocar. Quantas ideias fantásticas podem surgir de uma conversa? Quantos problemas podem ser resolvidos em uma conversa? Eu defendo a conversa que produz. A conversa que alegra. A conversa que motiva. E conversa é simples. Baixo custo. Eficaz.

Estou torcendo para o complicado sair de moda. Ficar brega de vez! Quero que o simples volte a imperar. Não aquele simples medíocre, preguiçoso e negligente. Nunca! Almejo sim pelo simples sofisticado que se traduz na resolução, na eficácia, na transparência, na confiança e no prazer da realização descomplicada.

Sonhando e trabalhando para poder ser simples!

Brasília, 17 de junho de 2015.

Bienvenue!!

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Volta e meio tenho uma ideia, um insight ou simplesmente uma vontade despretensiosa de deixar trasbordar minha mente e minha alma para o “papel”. Contudo, nunca havia sentido vontade de publicar nenhum dos textos ou artigos que escrevo por entender que ficaria presa, atrelada e comprometida para sempre com minhas próprias palavras.

Hoje, percebi que eu posso publicar livremente e mudar de opinião; posso ter uma nova ideia e sobrepô-la à anterior quantas vezes eu sentir vontade ou necessidade! Afinal, cada vez que aprendo, mudo!

Logo, mudar é bom e agora me sinto livre inclusive para invalidar amanhã aquilo que eu escrever hoje!

Sendo assim, sejam muito bem-vindos ao meu Moleskini virtual!!!

Apesar de ter criado aqui um espaço para mim mesma, resolvi compartilhar sem a pretensão de influenciar ou tampouco agradar. Então, fique à vontade para conversar, gostar ou não gostar, perguntar e responder, concordar ou simplesmente discordar!

Welcome to my World!

Welcome to my Brain!

Welcome to my Heart!