Ser mãe ou ser profissional? A preciosa busca do equilíbrio na vida feminina

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Hoje minha agenda corrida foi deliciosamente interrompida para um almoço com uma mulher maravilhosa de quem tive o privilégio de me aproximar nos últimos meses, como fruto de um daqueles movimentos imprevisíveis que costumo nominar de presentes divinos! O motivo da preciosa pausa foi uma conversa sobre o formato e o conteúdo de um Painel para o qual ela me convidou – um Painel para mulheres cujo tema será “Novos Começos”.

A conversa seguia animada do jeito que eu gosto: um assunto emendando no outro de forma densa e profunda e, ao mesmo tempo, leve e agradável, até que começamos a falar do equilíbrio entre a vida profissional feminina e a maternidade. Buum!!! Assunto matador para duas mulheres independentes e amantes tanto do trabalho quanto dos seus filhos crescidos e já “criados”.

Amei de paixão uma frase que minha nova amiga repetiu algumas vezes, por já ter sido tema de um dos painéis que organizou. Vai mais ou menos assim: “quem fica se frustra e quem vai se culpa”. Simples assim.

Nós mulheres vivemos o dilema da cobrança – temos que ser as melhores esposas, as melhores mães, as melhores profissionais. Um polvo de mil braços capaz de dar conta de tudo ao mesmo tempo sempre. Cansa só de pensar! Temos uma neura instalada dessa coisa maluca de sermos “melhores”.

Melhores do que quem?

Melhores pra quê?

Será que não podemos nos permitir ser simplesmente mulher? Abrimos uma competição interminável conosco mesmas, com as demais mulheres e com os homens. Aaaah… os homens!!! Quem disse que temos que ser como eles, hein? OK. Muito polêmico. Vamos deixar os homens para outro dia!

Olhando para a realidade das mulheres mães profissionais da classe média brasileira (e aqui é necessário fazer este recorte), penso que a questão não mais reside no dilema entre ir ou ficar, entre trabalhar ou cuidar dos filhos, mas sim em como conciliar a vida profissional com a criação dos filhos, sendo feliz e realizada em ambas as empreitadas. Aliás, quem disse que precisa ser um OU outro?

Nada me leva a crer que nós mulheres precisamos fazer uma escolha definitiva entre ser uma profissional bem-sucedida ou ser uma excelente mãe. É a minha própria história que me convence. Fui mãe aos 21 anos, quando ainda era universitária. Não engravidei por susto ou contra a minha vontade. Escolhi assim! No mesmo ano em que Luciana nasceu abri uma pequena empresa e me formei. Dois anos depois encomendamos o Pedro Henrique! Mudamos para a casa que construímos e seguimos uma vida feliz. Trabalhei até o dia anterior ao nascimento de cada um dos meus filhos. Voltei a fazer de tudo sei lá quantos dias depois. Foi breve!! E caminhei assim, entre mamadeiras, passeios maravilhosos, choros, muitas reuniões, muitas viagens e muitas alegrias ao longo da minha juventude muito corrida e muito feliz!

Não tenho qualquer pretensão de me apresentar como exemplo ou contar minha história como sendo aquela que representa a escolha correta ou a melhor escolha. Tenho sim a genuína intenção de afirmar com toda certeza que é possível criar maneiras e alternativas para fazer tudo aquilo que sonhamos, sem necessariamente termos que optar entre ser mãe ou ser profissional, sendo essa uma escolha que considero muito dura para os dias de hoje. Afinal de contas, estudamos muito, somos ensinadas a ser independentes e conquistadoras de boas posições no mercado de trabalho. No meu caso, também fui ensinada a cozinhar, a cuidar de crianças, a lavar as roupas, limpar a casa, tanto quanto meu irmão! Sou uma privilegiada e aqui repito o meu “Muito obrigada” aos meus maravilhosos pais, que são para mim exemplo de equilíbrio entre a vida profissional e os afazeres da nossa família.

O que faz você feliz? O que você quer? Qual é o seu sonho?

  • Ter filhos e deixar de trabalhar? Faça isso!
  • Ter filhos e continuar trabalhando? Faça isso!
  • Trabalhar e nunca ter filhos? Faça assim!

Apenas escolha, tome sua decisão e seja feliz! Sem culpas e com plena consciência de que sempre temos uma escolha. Não deixe que a sociedade ou seus amigos palpiteiros de plantão decidam o que faz você feliz. E livre-se dos clichês! Quem disse que filho de boa profissional é menino mal-educado? Dizem que sou uma boa profissional e dizem também que meus filhos são bem-educados!!! 🙂

E ao fazer sua escolha, como Consultora de RH e Mãe que sou, peço licença para recomendar que você não deixe de considerar que seus filhos estarão por perto por aproximadamente 20 curtos anos antes de lhe deixarem totalmente só, face a face consigo mesma. Suas noites agitadas divididas entre papinhas, banhos, sorrisos gostosos, brincadeiras e muito barulho poderão se transformar em jantares silenciosos, muitas oportunidades de leitura solitária e inúmeras horas para você passar a sós com você mesma. Que mulher você quer encontrar quando eles, preciosos e amados filhos, partirem felizes para viverem suas próprias vidas independentes de você? Que mulher é esta que estará lá esperando pela mãe dos filhos crescidos?

Eu ainda estou tentando compreender a mulher que existe além dos meus filhos crescidos. Aliás, está tão complicado de entender que eu contratei alguém para me ajudar!

Enquanto a compreensão não vem, preencho meu precioso tempo com longas, intermináveis e deliciosas jornadas de intenso trabalho!

Desejo uma excelente e feliz escolha pra você!

Com amor,

Simone Maia, 45, feliz, consultora de grandes empresas e mãe de Luciana, 23 e Pedro Henrique, 20.

E se o seu trabalho não lhe desse dinheiro?

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Estava aqui pensando e matutando sozinha quando resolvi compartilhar essa e outras tantas perguntas com vocês:

  • Como vocês acham que seria nosso comportamento no trabalho se não dependêssemos ou não fizéssemos questão da remuneração?
  • Você agiria da mesma forma? Ou faria algo diferente?
  • Como seria o mundo do trabalho se ninguém dependesse da grana?
  • Sua escolha seria essa?
  • Você responderia para o mesmo líder?
  • Minha escolha, qual seria?

Creio que se não houvesse dinheiro envolvido no trabalho, esse mundo seria mais genuíno, uma vez que as relações de poder seriam pautadas em competência e respeito, e não em posições conquistadas às custas de influências escusas. Fácil concluir que mais pessoas teriam a coragem de fazer o que gostam e não apenas aquilo que “dá dinheiro”.

Hoje acompanhei o treinamento corporativo ministrado por um colega consultor e em um dado momento comentei com ele que eu falo o que eu penso e tenho vontade de falar. Complementei: “quem não gostar que me mande embora ou não me contrate mais”! Ele respondeu dizendo que é igual e os dois rimos juntos, até porque já me mandaram embora e já deixaram de me contratar por causa da minha convicção de que precisamos falar e escutar para construir um ambiente melhor. O problema é que o nosso modelo vigente permite que alguém seja penalizado por apresentar comportamento divergente. Pois eu e ele não ligamos a mínima por sermos divergentes!!! Gargalhamos!

Não troco minha liberdade de expressão e minha convicção de propósito por grana. Nunca troquei. Dou graças a Deus por isso. Logo, óbvio que já fiquei dura muitas vezes e tive que me reinventar para sustentar minha crença. A boa notícia é: sempre deu certo! A paixão que me move sempre me ajudou a reencontrar meu rumo quando alguém ou algo calou minha voz. Quando silenciaram minha convicção.

A paixão que me move também me ajudou a ganhar alguns títulos e rótulos ao longo do caminho. Dentre as várias pérolas que colecionei, a que mais me fez refletir foi o rótulo de “Resistente”. De tão intrigada, tive que digeri-lo em algumas sessões de coaching.

Ao final do processo, entendi que nunca fui resistente pura e simplesmente por falar, mas sempre fui segura e determinada. Convicta. Sou difícil de ser convencida. Portanto, ameaçadora para alguns. Defeito? Não vejo assim! Apenas uma característica com a qual alguns não têm a habilidade de lidar. Eu sei o que eu quero e, até hoje, as cifras não foram suficientes para me dobrar.

Interessada em me colocar no mundo de maneira construtiva e não reativa, fui me empenhar em ser menos conflitiva e sigo tentando aprender a me comunicar melhor, a escutar com mais atenção e a respeitar os demais pontos de vista antes de poder, se for o caso, não concordar com eles. Durante a jornada, aprendi que preciso ser paciente e delicada. Preciso entender que meu ritmo não deve, necessariamente, predominar. Preciso ser mais compreensiva e resiliente.

Por outro lado, entendi também que não vou aprender a ficar quieta. Não vou calar minha voz apaixonada! Não vou aprender a silenciar diante das coisas que considero injustas ou inadequadas. Sobre estas quero ter o direito de me expressar sem ser ameaçada. Aliás, não tem ameaça maior do que o rapto da minha liberdade.

Para me manter feliz, escolhi contribuir com a sociedade por meio da minha fala. Enquanto falo, me empenho na formação e no fortalecimento de pessoas que não calem umas às outras em busca de autoafirmação desconectada do bem coletivo. Para cumprir meu propósito, preciso apenas viver, sentir, estudar, observar e falar! Falar da minha verdade sem apagar a verdade do outro! Falar de esperança! Falar de possibilidades! Falar com alma! Falar da vida.

E sabe do que mais? Agora as pessoas e as empresas me dão dinheiro para eu falar!!!

Vai entender!…

45 Anos e os Sonhos

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Há cerca de 2 anos iniciei um novo ciclo e descobri que meus projetos de vida estavam todos concluídos ou em andamento, o que me trouxe uma sensação maravilhosa de completude e dever cumprido.

Nesta época, fiz algumas escolhas importantes de estilo de vida e comecei então a curtir a nova fase de completude! Fiz inclusive várias promessas – ler muitos livros, dedicar mais tempo aos cuidados com a saúde, viajar mais. Contudo, para minha surpresa, minha boa sensação durou pouco, pois logo começou a ser substituída por um vazio que eu não sabia de onde vinha!

Incomodada e inquieta como sou, iniciei rapidamente um processo de screening das áreas da minha vida para tentar descobrir a origem de tal vazio.  Família saudável, trabalho bom, filhos bem encaminhados e felizes, casamento estável e gostoso, contas em dia e ainda por cima morando em uma casinha simpática localizada no que apelidei de “Paraíso Verde”.  Em não encontrando nada que pudesse servir de explicação, ordenei a mim mesma que sossegasse.

Quem dera minha própria ordem tivesse sido cumprida…

Continuei na busca de alguma explicação para aquele vazio, quando uma luz se acendeu: percebi que não nutria mais sonho algum. Zerado! Nenhuma expectativa sequer. Contudo, imaginei que minha constatação fosse irrelevante. Segui. Mas o vazio não me abandonou.

Sonho… eu não imaginava que seu papel na minha vida fosse tão fundamental! A partir desta constatação, compreendi também a esperança da fé em Cristo. Eles se conversam. E conversam comigo o tempo todo.

Resolvi, então, procurar novos sonhos de gente grande, dignos dos meus 45 anos bem vividos. Uns mais nobres e outros nem tanto. Na lista dos nobres existe um projeto de educação profissional para jovens de baixa renda, pois acredito no poder transformador da educação. Acredito na libertação que ela proporciona! Existe também um grupo de Diálogos Femininos – espaço de conversas francas que separem as coisas da alma das ideologias extremistas, unindo mulheres sensacionais em torno da beleza e da alegria do feminino. E no alto da nobreza onírica encontram-se meus netos. Não vou falar deles para não pressionar minha filha e não dar ideia precipitada para meu filho. Com exceção deste último, já tomei providências iniciais para que se transformem em realidade, me trazendo alegrias e realização pura e simples!

Na lista dos sonhos menos nobres tem a construção de outra casa. Por puro prazer! Com uma sala grande o suficiente para receber muitos amigos ao mesmo tempo, sem ter que cancelar a festa em caso de chuva repentina. Uma cozinha bela conjugada à grande sala. Essa cozinha tem sofá para as pessoas sentarem enquanto eu cozinho pra elas. E belos quadros. As paredes são de vidro. Do lado de fora, um jardim belíssimo! Simples. Que se cuide sozinho, pois eu não sei cuidar das plantas (é sonho. Tá valendo!). Uma biblioteca confortável com muitas estantes para acolherem meus livros, único bem material que não gosto de dar. Vou só juntando! Quero um lugar para me perder no meio deles! O quarto pode ser pequeno. Não gosto de passar muito tempo dormindo e já não estou novinha para querer passar taaaanto tempo lá fazendo outras coisas mais interessantes do que dormir. Além disso, tem sofá na cozinha…

Percebem como energiza? Como movimenta? Sonhos nos movimentam! A esperança de uma vida melhor me movimenta! A fé no futuro me mobiliza. E de quebra resignificam as rugas que colecionei na primeira metade da minha vida.

Que os sonhos encubram a chatice característica do meu envelhecimento.

Que os sonhos me mantenham acreditando na transformação e na reinvenção das pessoas – principalmente da minha própria pessoa!

Que os sonhos mantenham meu olhar no nobre, no bom, no belo. Mesmo que para isso eu precise reinventar o bom e o belo!

E se você quiser sonhar comigo, escolha um sonho e será bem vindo!

Nossos Filhos, Nosso Projeto.

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Meus filhos queridos, Nana e Pedrinho,

De repente senti vontade de escrever para vocês para declarar que vocês 2 são meu mais importante Projeto!

Um projeto tem um objetivo ou alguns objetivos muito importantes a serem alcançados. Meu objetivo nos últimos anos tem sido viabilizar a felicidade e o sucesso de vocês 2.

Neste projeto tenho um sócio maravilhoso: seu Papi! Ele é o sócio fundador do Projeto! Juntos, temos traçado estratégias e feito múltiplos investimentos para que as metas do nosso Projeto sejam alcançadas. Temos metas relevantes para vocês: dentre elas, a mais importante é que sejam servos tementes a Deus. Pessoas do bem! Cristãos de verdade, com coração puro e intenção verdadeira de viver nesse mundo louco como Jesus viveu. 

Outras metas: que sejam felizes. Que tenham bons casamentos. Que sejam realizados profissionalmente. Que o trabalho lhes dê o sustento e o conforto necessário para viverem bem.

Tenho refletido muito nos motivos que me trouxeram para São Paulo e carregaram a família junto. E na minha reflexão tenho descoberto que minhas motivações, ou seja, meus motivos, estão, em sua grande maioria, relacionados ao nosso Projeto – meu e do Papi. Os que me observam por fora, da arquibancada, percebem uma mulher obstinada, determinada, que almeja crescimento na carreira e sucesso financeiro. Isso é verdade. Os que jogam em campo comigo sabem que mais no fundo existem um desejo que se traduz em passagens aéreas para OKC, festas de casamento, mensalidades de OCU, títulos de Clube Hípico, cavalos, competições de hipismo, viagens para a Bélgica, vestidos, culotes, livros, aulas de canto e por aí vai. Meu foco tem estado no grande Projeto da minha vida!

Tenho ouvido muito sobre disciplina nos últimos tempos. Me impressiona a quantidade de pessoas relevantes, personalidades, grandes líderes e pessoas de sucesso que apontam a disciplina como a chave para o sucesso de qualquer projeto. Quero que tenham disciplina. Deus sabe o quanto sempre desejei que entendam o resultado proveniente da disciplina.

Desde o início do Projeto (desde que eram bem pequenos!!!), disciplina é algo que sempre reforcei para vocês de diversas formas. Querem ver??
“Termine tudo o que você começa”.
“Faça o dever antes de relaxar”.
“Escove os dentes após todas as refeições”.
“Insista até aprender esse negócio”.
“Boa noite. Já orou pra dormir?”
“Não, você não pode faltar a escola.”
“Persiga seus sonhos.”
“Não desista.”
Etc. etc. etc.

Ambos escolheram caminhos difíceis, desafiadores: uma artista e um atleta! Lindos! Corajosos! Autênticos! Parabéns por terem a coragem de escolher fazer o que gostam, independente do mundo gritar que este caminho é o mais difícil. Parabéns! Vocês têm Pai e Mãe determinados, corajosos, com lições importantes de superação. Sigam em frente! Vocês têm a nossa bênção e sempre poderão contar com o nosso apoio. Mas saibam que quanto mais difícil a trilha, maior a exigência pela disciplina. Honrem as escolhas que estão fazendo. Persistam! Sejam criativos, resilientes, fortes! Ao mesmo tempo, sejam sábios. Não apenas inteligentes, mas sábios. Lembrem-se: a sabedoria é dom de Deus e não de homens. Não encontrarão a sabedoria neste plano natural, mas nos momentos que passarem ao lado do Senhor.

Detalhe: é sempre aceitável mudar de rota. Escolhas novas são SEMPRE uma opção!

Daqui para frente, vamos envelhecer rapidamente, eu e o Papi. Em pouco tempo vocês se tornarão mais fortes que nós, os donos do Projeto. Precisarão, então, de disciplina própria. A hora da autonomia está ficando cada vez mais próxima! Já já vamos nos cansar e vamos querer passear, descansar, sumir, curtir. E esse será o tempo de exercitar a auto-disciplina. Preparem-se!

Para terminar: não é segredo que gosto muito de trabalhar! Gosto do mundo corporativo. Esta é a minha linguagem! Mas em meio à minha paixão pelo trabalho, descobri que na verdade Deus é caprichoso comigo, porque Ele permite que eu seja feliz enquanto trabalho em prol do nosso Projeto!

Sou feliz por ser sócia com o Papi de Projetos Divinos absolutamente maravilhosos na Terra: um se chama Luciana e outro se chama Pedro Henrique!

Amo vocês. Simples assim.

Mammy

São Paulo, 21 de fevereiro de 2013.

A Barriga dos Sonhos

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Avião é um lugar legal porque, na impossibilidade de navegar, sou obrigada a arranjar outra coisa pra fazer enquanto a única opção é aquietar meu ser agitado e voar!

Uma coisa divertida é olhar o que o pessoal das poltronas à minha volta está fazendo! Ignoro os que dormem (e até roncam!!), coloco os fones para não ouvir os bebês chorando de tédio, mas curto observar o que as pessoas ao meu redor estão lendo.

No voo de hoje, à minha direita, ao longe, a manchete enorme “A barriga dos sonhos”! Verão chegando, o desespero para emagrecer e fazer bonito de biquíni na praia e nas piscinas do nosso país ensolarado! Cá entre nós, sem segredo: quem nunca foi atraída ou até mesmo atraído por uma manchete dessas? Eu já!! Ainda sou!!!! Rsrsrsrsr

Mas, aos 44, a barriga dos meus sonhos já ficou lá pelos 36 (até que durou muito!!!) e o que eu sonho agora é ver manchetes sobre “A cabeça dos sonhos” ou “A mente dos sonhos” , “Os filhos dos sonhos”, “Os governantes dos sonhos” ou ainda “A alma dos sonhos”! Eu queria ler mais sobre o assunto! Adoraria ter acesso a revistas especializadas que nos dessem algumas daquelas listinhas que funcionassem tão bem quanto uma série de exercícios abdominais bem montada para deixar a “barriga dos sonhos” sarada e linda!

Mas infelizmente ainda não descobri uma lista pronta para deixar minha alma linda. Para ter a mente e a alma dos sonhos tenho precisado viver mesmo. Experimentar. Errar. Acertar. Aprender. Arriscar o voto. Reaprender. Criar filho com virtudes lindas e defeitos tão horríveis quanto os meus próprios. Não encontrei lista pronta.

Contudo, se alguém tiver acesso a uma listinha milagrosa, por favor compartilhe comigo. Pode ser um link no Facebook, uma fotografia compartilhada no Instagram, um comentário aqui no BrainHeart ou até codificada no meu Twitter! Se for ‘profí’, compartilha na minha página do LinkedIn; rapidinho as centenas de amigos e colegas de RH darão um jeito de montar vários treinamentos sobre o tema!

Quem me dera ter uma fórmula!!! Pra mim e meus companheiros de vôo.

Mas o desafio é fazer sem lista. Malhar a cabeça e lapidar a alma dá muito mais trabalho do que malhar a pança – nome carinhoso que dou à minha ex-barriga bonita! Meus amigos malhadores de pança por favor não se ofendam! Não tenho nada contra os lindos gominhos que nascem do cuidado diário com o transverso do abdômen! Eu também tento! Certo que não consigo, mas vou lá na ATP entre uma correria e outra para tentar não deixar a coisa descambar de vez. Mas confesso: preferiria ver movimento inverso entre as bibliotecas e as academias.

Já pensou se cada academia fosse uma biblioteca?  Quão malhadas seriam nossos cérebros? Com quantos poemas e virtudes não alimentaríamos nossas almas?

Mas essa é só uma breve reflexão mesmo! Um breve sonho nas alturas. O vôo é curto. Muito mais curto do que os belos dias ensolarados do verão. Aqueles que pedem uma barriga dos sonhos! Já já vou ter que desligar para aterrissar. Vou aproveitar e aterrissar minha alma dos ares junto com a aeronave!

Mudança

Montanha russa

Aaaaaaaiiiiii!!!! Lá vou eu de novo dentro do carrinho da montanha-russa da mudança!

Já andou em uma montanha-russa bem grandona? Daquela que faz o coração da gente acelerar e bater bem forte, embalado por aquela subida lenta e interminável que antecede uma queda abrupta e veloz rumo a um buraco qualquer?

Pois então!  Esse é exatamente o sentimento que tenho quando percebo que uma grande mudança vai acontecer na minha vida. É como se estivesse na primeira fila do carrinho da montanha russa gigante, com as mãos suadas agarradas na barra, o coração na boca, o grito estridente pronto para sair, a ansiedade pela sensação maravilhosa do novo e o prazer antecipado da retomada após a queda!

Do outro lado do coração, a irritação, a angústia, o medo do desconhecido e a saudade antecipada daquilo que já sei que terei que deixar pra trás… É assim que eu (e aposto que dezenas de pessoas do meu círculo de relacionamento) me sinto neste exato momento! A expectativa de que algo vai mudar mexendo com cada centímetro quadrado do meu ser.

– Por que isso está acontecendo?

– Pra que?

– Como será?

– O que será que vou perder ao longo do caminho? Meu chapéu? Minhas sandálias? Segura os óóóóculos!!!!!

Farejando nova mudança e refletindo muito sobre ela nos últimos dias, sinto e arrisco concluir que a vida da gente é a resultante de uma sequência de mudanças. Tudo muda o tempo todo, por vontade de cada um de nós ou mesmo contra todo e qualquer plano idealizado. Por isso, penso que não adianta resistir! Quem resiste fica parado, fazendo força pra trás, como parte do time do contra (-fluxo), enquanto tanta coisa passa alegremente no carrinho ao lado rumo a novas possibilidades, oportunidades e gritos de prazer e alegria. Assim como na montanha russa, a vida não nos dá a opção de sair do carrinho depois que a subida já começou!

Mas falar ou escrever contra a resistência à mudança a partir de um raciocínio estruturado é fácil! Difícil é permanecer lúcida, firme e otimista quando bate o desconforto de mudar! Já prestou atenção no verbo que usamos para relatar um processo de mudança? Geralmente iniciamos a fala dizendo que “fulano ou beltrano ou o processo ou a igreja ou a empresa ou qualquer coisa SOFREU uma mudança”!!! Reparem! Mudança está, socialmente, associada ao sofrimento. Essa expressão me intriga sobremaneira!

E por que resistimos? Creio que seja porque gostamos do conforto do conhecido! Porque sair do lugar consome a energia que às vezes não temos. Porque geralmente tememos aquilo que ainda não sabemos como vai ser.

Minha mente tem mandado mensagens constantes ao meu coração para fazê-lo crer de verdade que a melhor opção quando já estamos no carrinho da montanha russa da vida é curtir a vista!  Vai subir! Vai cair! Sinta o vento forte no rosto! Vai subir de novo! Alguns vão gritar enquanto outros gargalham compulsivamente! Escute! Os chapéus vão voar e alguns chinelos vão se perder ao longo do caminho! Mas nada se compara à sensação maravilhosa causada pelo rush de adrenalina que correu pelo corpo! Que coisa boa é curtir a saída do outro lado depois que o carrinho para, depois que os gritos de susto cessam e a ansiedade é substituída pelos sorrisos leves que surgem nos lábios enquanto os ouvidos escutam as experiências do seu companheiro de subidas e descidas rápidas! Como é bom!

E assim é viver! Viver é mudar. Viver é subir e descer. Cair. E subir de novo. Rápida e intensamente. Com medo. Com arrependimento por ter partido.  Com gritos e gargalhadas. E, principalmente, com sorrisos prazerosos que surgem ao sentirmos o frescor do novo!

E preste atenção, Simone: concentre-se em cada mudança e curta o caminho da vida para depois ter como sorrir ao escutar suas próprias lembranças!

 

Rio Quente, GO, 08 de agosto de 2015.

 

Minha Cozinha, Minha Vida

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Escrevi este texto há quase 4 anos. Na ocasião, meu querido Luciano pediu para publicá-lo em seu blog Café com Deus. Ontem lembrei dele e resolvi publicá-lo novamente aqui no BrainHeart.

Mesmo um pouquinho antigo, ainda faz todo o sentido pra mim!

Aí está: Minha Cozinha, Minha Vida!!!

Quem me conhece sabe que estou vivendo nova fase de vida. Hoje está ótimo para ilustrar: tarde de 7 de setembro, feriado, sozinha em casa. A filha estudando lááááááá longe, o filho passando o dia estudando para uma prova na casa de um amigo onde dormiu e o marido saiu para estudar também. Nada de amigos por hoje. Ou seja, sobrei. Mas pelo menos desta vez eu estou feliz.

Bem, como o tempo está me sobrando, eu descobri que com mais tempo eu consigo até pensar melhor.

Aí, estava eu lavando a louça do almoço que eu preparei para mim e para o Lu em menos de 10 minutos (é, eu sou ninja na cozinha!!!) e me veio à mente um comparativo interessante de como minha relação com a gastronomia, minha geladeira, minha cozinha reflete minha relação com a vida.

Funciona mais ou menos assim: quando estou em casa e tenho que preparar alguma coisa para comer, eu abro a geladeira, depois o armário de comida, analiso o que tenho disponível em ambos e a partir daí eu invento o que eu vou fazer. Raramente percorro o caminho inverso de pensar em algo para comer para depois sair com uma lista a fim de comprar os ingredientes – geralmente só faço isso para uma ocasião específica ou mediante pedidos especiais. No dia a dia, inclusive em situações especiais do dia a dia, primeiro eu vejo o que eu tenho e depois eu penso no que posso criar de bem gostoso com o que eu tenho à disposição na minha cozinha.

Na vida, sou mais ou menos assim também, como sou com a minha cozinha. Procuro fazer coisas gostosas a partir do que tenho disponível. Raramente fico idealizando fazer algo cujos ingredientes não tenho à minha disposição.

O primeiro exemplo que me foi marcante é data do ano em que fui morar nos Estados Unidos como intercambista. Eu saí de uma cidade no interior do estado do Rio de Janeiro, onde eu era uma mocinha completamente independente com uma vida social bem agitada, e fui morar no interior da Flórida, onde não havia sequer meio de transporte que pudesse me levar e trazer para qualquer lugar. Em pleno tédio, comecei a transformar as coisas rotineiras em diversão. E tudo passou a ser interessante: ir ao supermercado (antes eu odiava ir ao supermercado), andar de bicicleta, visitar a host mom no trabalho (e ela trabalhava no hospital, véi!!!), montar quebra-cabeças, bordar (bordar???????????), malhar (malhar????????? Como é que isto pôde um dia ser divertido?)… Enfim, consegui viver feliz com o que estava ao meu alcance. E fui de fato muito feliz durante o meu ano de intercâmbio.

Ao longo dos anos, tenho passado por altos e baixos. Altos bem altos e baixos bem baixos. Tirar proveito dos itens à minha disposição nas alturas foi bem fácil. Mas enxergar a felicidade disponível no baixo foi um desafio incrível. Nos períodos de carestia na vida adulta, descobri que o dom de criar a partir do que há disponível é na verdade uma característica infantil que se perde pouco a pouco na medida em que o tempo passa para nós.

Mas para a minha felicidade, ainda hoje consigo, na maioria das vezes, viver com o que tenho. Não seria certo eu dizer que simplesmente me contento com o que tenho. Isso tem parentesco com a mediocridade e eu tenho um problema com ela. O que eu consigo, na maioria das vezes, é encontrar felicidade no momento presente, mesmo quando estou a caminho de algo a ser conquistado. Uma vez me disseram que eu sou engraçada porque o melhor é sempre aquilo que eu tenho! Hahahaah! Mas é óbvio! Se isso é o que eu tenho, isso é o melhor. Sobrevivência pura. E para sobreviver, cada um encontra seus meios.

Na verdade, me considero uma pessoa muito sonhadora. Mas sou uma sonhadora realista (isso existe?) e sempre estabeleço novas metas a partir dos estágios que alcanço. Sempre fui assim. Sonho e persigo. Alcanço e planejo de novo. Mas, na maioria das vezes, consigo curtir o caminhar, a construção, a conquista. Quando falho em reconhecer que o que tenho hoje deve me bastar, luto com a orientação de Jesus naquele verso bíblico que nos orienta assim: não se preocupem com suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa?” (Mateus 6.25). Haja fé!

Não quero aqui dizer que eu sou muito legal ou especial porque na maior parte do tempo eu tenho esta habilidade. Quero apenas compartilhar algo que considero ser uma estratégia para curtir a vida, uma espécie de pílula do contentamento. Por que eu vou ficar planejando comer filé com fritas quando só tem alface e peito de frango na minha geladeira? Vou procurar uma receita de peito de frango e curtir com alface, ué!

Ah! Acabei de me lembrar como aprendi a fazer macarrão ao alho e óleo: estudante universitária, república, 10:30 da noite, aproximadamente, chego da biblioteca morrendo de fome e com zero de dinheiro. Abro a geladeira, encontro alho. Abro o armário encontro um pacote de macarrão. Mais NADA!!! Penso: já ouvi falar num tal de “macarrão ao alho e óleo”. Como óleo sempre tem mesmo, o resultado foi ótimo! Voilà!!!

E assim tem sido: com filhos pequenos, abracinhos que me fazem sorrir. Com filhos grandes, colo livre para os livros. Com o marido, beijos. Sem beijos, com expectativa. Com sol, churrasco no quintal. Choveu? Barulhinho de água na janela da sala de TV! Com dinheiro, restaurante. Sem dinheiro, o aconchego da minha cozinha. Uhmm! Vamos ver o que temos aqui na geladeira…

Simone Maia, Brasília, 07 de setembro de 2011.

 

O DP e o RH

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Uma frase que ouvi hoje pela manhã durante breve conversa virtual com uma colega de profissão despertou a vontade de compartilhar um princípio de RH no qual acredito. Fico me perguntando se tenho companheiros de crença!

Enquanto conversávamos sobre sua recolocação profissional, ela disse a seguinte frase:

– “Consegui uma vaga que dizia ser de RH, mas a maioria das atividades é de DP”.

Havíamos nos cruzado rapidamente no aeroporto e eu já estava dentro do avião, prestes a decolar, de sorte que não teríamos tempo de desenvolver a conversa. Mas caso tivéssemos, minha próxima frase-resposta seria:

– “E o DP não é parte do RH”?

Não venho aqui, de forma alguma, julgar ou recriminar minha colega! Eu entendo o que ela quis dizer. Quero sim falar dos conceitos por trás da expressão que ela disse.

No nosso segmento de Gestão de Pessoas, é comum escutarmos a distinção clara entre DP – Departamento de Pessoal e RH – Recursos Humanos. Ao velho e bom DP as pessoas associam tudo o que é operacional, menor e antigo. Ao senhor RH está associada a estratégia, a novidade, a modernidade e a famosa gestão de pessoas com todas as suas metodologias. Dois departamentos separados: um cuidando de dinheiro e coisas e o outro cuidando de gente.

Pois então!!! Não é de maneira dissociada que os percebo. Eu os considero parte de um único universo. Parte do universo que cuida de gente e de tudo aquilo que é da gente!! Sabe por que? Experimente um belo erro na Folha de Pagamentos por um único mês! Erre só uma vez e experimente o caos no clima organizacional! Não faça os pedidos de vale transporte na data correta, por exemplo. Faça isso e assista de camarote a todo o glamour da estratégia dita “de RH” ir por água abaixo enquanto todos os ramais da área tocam sem parar com pessoas querendo saber o que houve com o dinheiro, com o pagamento do TKT Restaurante, com o vale transporte que não foi depositado.

Acredito na atividade de administração de pessoal (que alguns chamam de DP) consistente e competente como sendo a base para uma estratégia de gestão de pessoas bem executada. Não creio que seja possível inovar, criar e implantar muita coisa se o básico não estiver em perfeita ordem. Não há clima organizacional que resista a pagamentos errados, plano de saúde que não funciona, admissões malfeitas, benefícios pagos fora do prazo. Não há instrutor que tenha sucesso em uma sala de treinamento cujos participantes estejam insatisfeitos porque seu vale alimentação ainda não foi pago.

É necessário destacar cuidadosamente talentos com competências e perfil específico para o trabalho de Administração de Pessoal, assim como o fazemos com os times de Desenvolvimento Organizacional, Remuneração, Gestão por Competências e outros. Não podemos simplesmente mandar para o DP o mais fraco dos colaboradores do “RH”, mas sim identificar pessoas altamente capacitadas com o perfil correto para a natureza da atividade repetitiva a detalhista que lhe é característica. Não me sinto confortável quando presencio menosprezo aos profissionais que executam estas atividades, como se inferiores fossem. Já tentou entender a CLT e conhecer todas as regras e demais leis que regem o dia a dia de alguém que trabalha nesta área?

Enfim! Creio na atividade de administração de pessoal, ou no DP (como preferirem!!) como uma das atividades ou divisões da área de Gestão de Pessoas ou RH (como preferirem!!). Tão importante quanto. Totalmente integrada aos demais subsistemas de RH. Sua equipe deve ser valorizada, capacitada e gerenciada tanto quanto todas as outras equipes que pensam nas avaliações de desempenho, nos programas de capacitação, nas ações de clima, na estratégia de remuneração, que acaba se concretizando em um pagamento que certamente será efetuado por alguém do querido “DP!!!

São Paulo – Brasília, 22 de junho de 2015.

O Poder da Simplicidade

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Vivemos em uma era de complexidades. Das relações ao trânsito, passando por tecnologias e metodologias diversas, quase tudo está bastante complicado. Complicado a ponto de existir sempre alguém ou alguma empresa tentando encontrar uma solução para “descomplicar” algo!

Assim como aconteceu na vida cotidiana, nas organizações o simples foi perdendo espaço para o complexo. Soluções simples, processos simples, métodos simples e pessoas simples deram lugar a sistemas que prometem solucionar os problemas dos clientes, a métodos que prometem reduzir os custos, a técnicas e scripts que garantem (????) a excelência no atendimento e a uma infinidade de metodologias de gestão que fazem brilhar os olhos do mais cético dos empresários.

Há, sem dúvida, uma valorização e um apreço especial pelo complexo. E a sensação que tenho é que quanto mais a gente tenta simplificar, mais a gente consegue complicar. Especialmente no mundo corporativo.

Muito embora estejamos experimentando um tempo de valorização do complexo, curiosamente tenho recebido muitas demandas de consultoria cujo objetivo envolve a simplificação de algum instrumento ou de alguma metodologia – descrições de cargos, estratégias de remuneração, modelos de gestão do desempenho, programas de desenvolvimento. O povo está querendo tudo simples! E eu, claro, estou adorando!

Gosto do simples. Gosto do pragmático. Gosto do que funciona sem complicações adicionais e desnecessárias. Curto ir direto ao ponto sem encher linguiça que desperdiça o dinheiro do empresário e o precioso tempo do colaborador.

Textos diretos, apresentações curtas, relatórios assertivos, sistemas funcionais e amigáveis, PPTs sem pirotecnia, processos e manuais de fácil compreensão, metodologias de controle na medida do eficaz e do necessário, reuniões breves. Agilidade.

Creio que o belo, o excelente e o eficaz também podem resultar da simplicidade!

Se for permitido que tudo seja mais simples, vai surgir o tempo para pensar. A inspiração para criar. A oportunidade para conversar. Sim, conversar!! Conversar para entender, para interagir, para melhorar, para trocar. Quantas ideias fantásticas podem surgir de uma conversa? Quantos problemas podem ser resolvidos em uma conversa? Eu defendo a conversa que produz. A conversa que alegra. A conversa que motiva. E conversa é simples. Baixo custo. Eficaz.

Estou torcendo para o complicado sair de moda. Ficar brega de vez! Quero que o simples volte a imperar. Não aquele simples medíocre, preguiçoso e negligente. Nunca! Almejo sim pelo simples sofisticado que se traduz na resolução, na eficácia, na transparência, na confiança e no prazer da realização descomplicada.

Sonhando e trabalhando para poder ser simples!

Brasília, 17 de junho de 2015.

RH: meu trabalho, minha missão, minha paixão.

 

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Não escolhi esta profissão. Escolhi ser e fazer outra coisa. Mas o RH brotou, aconteceu, fluiu e evoluiu enquanto eu estava fazendo aquela outra coisa que eu escolhi fazer.

Ao longo dos anos, aquilo que era uma habilidade natural se transformou em projeto, em prazer, em ganha-pão em missão e, finalmente, em paixão.

Comecei a trabalhar bem novinha, aos dezesseis anos, em uma pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. Indicada pela escola de inglês onde estudava, dei aulas para as crianças de 1ª a 4ª séries em uma escola local. Naquele tempo, rodava as atividades no mimeógrafo!!! Rsrsrsrs A Geração Y nem sabe que bicho é esse!

Um semestre depois, parti para um ano de intercâmbio cultural como bolsista do Rotary Club da pequena cidade onde morava e, no retorno, estava decidida a prolongar a belíssima experiência internacional pelo resto da minha vida! Feito! Prestei vestibular para Relações Internacionais em Brasília, passei e, aos 18, me mandei sozinha para a capital federal para estudar!

No último semestre do meu curso universitário, eu, apressada, já havia me casado, tido minha primeira filha Luciana e aberto uma empresa de intercâmbio cultural com o apoio do meu marido, meu grande companheiro para todo o tipo de loucura!

No início da minha carreira como internacionalista, o que eu fazia mesmo era me virar com todas as exigências, confusões e dificuldades de uma pequenina empresa brasileira de educação internacional. Foram alguns carnavais até que a coisa se tornasse internacional de verdade! E não posso reclamar! Fazendo o que gostava, rodei o mundo e assim comecei a me situar nessa Terra de meu Deus!

Com o tempo, a pequena empresa que eu dirigia com o meu marido, que havia deixado de ser apenas meu sócio capitalista para seu meu companheiro 24 x 7, se tornou destaque em vendas, em qualidade de atendimento, em eficiência e em crescimento dentre todas as unidades da rede paulistana à qual pertencíamos. Créditos para as estratégias de marketing e de gestão de pessoas totalmente intuitivas que, àquele tempo, faziam parte do nosso dia a dia. O marketing era obra do marido-sócio-marido e o RH o meu próprio laboratório.

Aos poucos, minha natureza professorinha organizada se transformou em uma paixão desenfreada por compartilhar com as pessoas aquilo que eu mesma ia aprendendo sobre o business e tudo que o rondava. Tinha um prazer incrível em dividir o que eu estava descobrindo! De professorinha passei então, a líder de desenvolvimento dos nossos funcionários de Brasília e daqueles dos nossos sócios pelo Brasil afora, os quais se apertavam em uma salinha para me ouvirem ensinar sobre tudo o que eu sabia e que me fazia vender tanto e tão bem, segundo o que os números indicavam.

Entre conferências bem organizadas, treinamentos diversos e um Centro de Serviço Compartilhado inaugurado, fui me apaixonando pela estratégia que envolve gente, atende gente, atrai gente, ensina gente, recompensa gente. Amo gente!!! Assim, a partir da prática, fui estudar e me especializar na ciência que eu já praticava sem saber e sem escolher!

Ironicamente, uma falência 10 anos depois me empurrou para a única outra coisa que eu sabia fazer: cuidar de gente! E foi assim que eu descobri que a paixão e a crença no potencial das pessoas ultrapassavam os limites da minha propriedade e começava a irradiar para qualquer outro lugar que tivesse um ser humano para contratar, um grupo para treinar, uma avaliação para realizar, uma estratégia para pensar! Apaixonadamente, comecei a dividir com outros empresários minhas crenças acerca do valor das pessoas e sua importância para os resultados de suas empresas. Eu estava empolgada, entusiasmada com o que estava sendo dito nos livros e palestras acerca da Era do Conhecimento. O conceito estava em alta e eu tinha pressa em fazê-la acontecer em toda a parte! Louca.

Hoje, é essa a loucura que ainda me impulsiona a descobrir o lugar onde minha paixão seja bem-vinda! Onde a criatividade e as ideias sejam mais valorizadas do que a obediência cega ao status quo organizacional! Onde as pessoas sejam livres para pensar e convidadas a compartilhar aquilo em que acreditam.

Mais simples do que isso, minha louca paixão quer ajudar a construir espaço onde as pessoas sejam verdadeiramente valorizadas por aquilo que têm capacidade de criar e produzir. Lugar onde este discurso batido de valorização das pessoas seja transformado em valor verdadeiro. Lugar onde elas, as pessoas, sejam mais importantes do que o dinheiro na teoria E na prática. Tão simples de entender, tão fácil repetir e tão difícil de praticar…

Procuro este lugar. Se você encontrar, por favor compartilhe para que eu possa novamente me apaixonar!

Simone Maia

São Paulo, agosto 2014.