Mudança

Montanha russa

Aaaaaaaiiiiii!!!! Lá vou eu de novo dentro do carrinho da montanha-russa da mudança!

Já andou em uma montanha-russa bem grandona? Daquela que faz o coração da gente acelerar e bater bem forte, embalado por aquela subida lenta e interminável que antecede uma queda abrupta e veloz rumo a um buraco qualquer?

Pois então!  Esse é exatamente o sentimento que tenho quando percebo que uma grande mudança vai acontecer na minha vida. É como se estivesse na primeira fila do carrinho da montanha russa gigante, com as mãos suadas agarradas na barra, o coração na boca, o grito estridente pronto para sair, a ansiedade pela sensação maravilhosa do novo e o prazer antecipado da retomada após a queda!

Do outro lado do coração, a irritação, a angústia, o medo do desconhecido e a saudade antecipada daquilo que já sei que terei que deixar pra trás… É assim que eu (e aposto que dezenas de pessoas do meu círculo de relacionamento) me sinto neste exato momento! A expectativa de que algo vai mudar mexendo com cada centímetro quadrado do meu ser.

– Por que isso está acontecendo?

– Pra que?

– Como será?

– O que será que vou perder ao longo do caminho? Meu chapéu? Minhas sandálias? Segura os óóóóculos!!!!!

Farejando nova mudança e refletindo muito sobre ela nos últimos dias, sinto e arrisco concluir que a vida da gente é a resultante de uma sequência de mudanças. Tudo muda o tempo todo, por vontade de cada um de nós ou mesmo contra todo e qualquer plano idealizado. Por isso, penso que não adianta resistir! Quem resiste fica parado, fazendo força pra trás, como parte do time do contra (-fluxo), enquanto tanta coisa passa alegremente no carrinho ao lado rumo a novas possibilidades, oportunidades e gritos de prazer e alegria. Assim como na montanha russa, a vida não nos dá a opção de sair do carrinho depois que a subida já começou!

Mas falar ou escrever contra a resistência à mudança a partir de um raciocínio estruturado é fácil! Difícil é permanecer lúcida, firme e otimista quando bate o desconforto de mudar! Já prestou atenção no verbo que usamos para relatar um processo de mudança? Geralmente iniciamos a fala dizendo que “fulano ou beltrano ou o processo ou a igreja ou a empresa ou qualquer coisa SOFREU uma mudança”!!! Reparem! Mudança está, socialmente, associada ao sofrimento. Essa expressão me intriga sobremaneira!

E por que resistimos? Creio que seja porque gostamos do conforto do conhecido! Porque sair do lugar consome a energia que às vezes não temos. Porque geralmente tememos aquilo que ainda não sabemos como vai ser.

Minha mente tem mandado mensagens constantes ao meu coração para fazê-lo crer de verdade que a melhor opção quando já estamos no carrinho da montanha russa da vida é curtir a vista!  Vai subir! Vai cair! Sinta o vento forte no rosto! Vai subir de novo! Alguns vão gritar enquanto outros gargalham compulsivamente! Escute! Os chapéus vão voar e alguns chinelos vão se perder ao longo do caminho! Mas nada se compara à sensação maravilhosa causada pelo rush de adrenalina que correu pelo corpo! Que coisa boa é curtir a saída do outro lado depois que o carrinho para, depois que os gritos de susto cessam e a ansiedade é substituída pelos sorrisos leves que surgem nos lábios enquanto os ouvidos escutam as experiências do seu companheiro de subidas e descidas rápidas! Como é bom!

E assim é viver! Viver é mudar. Viver é subir e descer. Cair. E subir de novo. Rápida e intensamente. Com medo. Com arrependimento por ter partido.  Com gritos e gargalhadas. E, principalmente, com sorrisos prazerosos que surgem ao sentirmos o frescor do novo!

E preste atenção, Simone: concentre-se em cada mudança e curta o caminho da vida para depois ter como sorrir ao escutar suas próprias lembranças!

 

Rio Quente, GO, 08 de agosto de 2015.