O DP e o RH

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Uma frase que ouvi hoje pela manhã durante breve conversa virtual com uma colega de profissão despertou a vontade de compartilhar um princípio de RH no qual acredito. Fico me perguntando se tenho companheiros de crença!

Enquanto conversávamos sobre sua recolocação profissional, ela disse a seguinte frase:

– “Consegui uma vaga que dizia ser de RH, mas a maioria das atividades é de DP”.

Havíamos nos cruzado rapidamente no aeroporto e eu já estava dentro do avião, prestes a decolar, de sorte que não teríamos tempo de desenvolver a conversa. Mas caso tivéssemos, minha próxima frase-resposta seria:

– “E o DP não é parte do RH”?

Não venho aqui, de forma alguma, julgar ou recriminar minha colega! Eu entendo o que ela quis dizer. Quero sim falar dos conceitos por trás da expressão que ela disse.

No nosso segmento de Gestão de Pessoas, é comum escutarmos a distinção clara entre DP – Departamento de Pessoal e RH – Recursos Humanos. Ao velho e bom DP as pessoas associam tudo o que é operacional, menor e antigo. Ao senhor RH está associada a estratégia, a novidade, a modernidade e a famosa gestão de pessoas com todas as suas metodologias. Dois departamentos separados: um cuidando de dinheiro e coisas e o outro cuidando de gente.

Pois então!!! Não é de maneira dissociada que os percebo. Eu os considero parte de um único universo. Parte do universo que cuida de gente e de tudo aquilo que é da gente!! Sabe por que? Experimente um belo erro na Folha de Pagamentos por um único mês! Erre só uma vez e experimente o caos no clima organizacional! Não faça os pedidos de vale transporte na data correta, por exemplo. Faça isso e assista de camarote a todo o glamour da estratégia dita “de RH” ir por água abaixo enquanto todos os ramais da área tocam sem parar com pessoas querendo saber o que houve com o dinheiro, com o pagamento do TKT Restaurante, com o vale transporte que não foi depositado.

Acredito na atividade de administração de pessoal (que alguns chamam de DP) consistente e competente como sendo a base para uma estratégia de gestão de pessoas bem executada. Não creio que seja possível inovar, criar e implantar muita coisa se o básico não estiver em perfeita ordem. Não há clima organizacional que resista a pagamentos errados, plano de saúde que não funciona, admissões malfeitas, benefícios pagos fora do prazo. Não há instrutor que tenha sucesso em uma sala de treinamento cujos participantes estejam insatisfeitos porque seu vale alimentação ainda não foi pago.

É necessário destacar cuidadosamente talentos com competências e perfil específico para o trabalho de Administração de Pessoal, assim como o fazemos com os times de Desenvolvimento Organizacional, Remuneração, Gestão por Competências e outros. Não podemos simplesmente mandar para o DP o mais fraco dos colaboradores do “RH”, mas sim identificar pessoas altamente capacitadas com o perfil correto para a natureza da atividade repetitiva a detalhista que lhe é característica. Não me sinto confortável quando presencio menosprezo aos profissionais que executam estas atividades, como se inferiores fossem. Já tentou entender a CLT e conhecer todas as regras e demais leis que regem o dia a dia de alguém que trabalha nesta área?

Enfim! Creio na atividade de administração de pessoal, ou no DP (como preferirem!!) como uma das atividades ou divisões da área de Gestão de Pessoas ou RH (como preferirem!!). Tão importante quanto. Totalmente integrada aos demais subsistemas de RH. Sua equipe deve ser valorizada, capacitada e gerenciada tanto quanto todas as outras equipes que pensam nas avaliações de desempenho, nos programas de capacitação, nas ações de clima, na estratégia de remuneração, que acaba se concretizando em um pagamento que certamente será efetuado por alguém do querido “DP!!!

São Paulo – Brasília, 22 de junho de 2015.

RH: meu trabalho, minha missão, minha paixão.

 

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Não escolhi esta profissão. Escolhi ser e fazer outra coisa. Mas o RH brotou, aconteceu, fluiu e evoluiu enquanto eu estava fazendo aquela outra coisa que eu escolhi fazer.

Ao longo dos anos, aquilo que era uma habilidade natural se transformou em projeto, em prazer, em ganha-pão em missão e, finalmente, em paixão.

Comecei a trabalhar bem novinha, aos dezesseis anos, em uma pequena cidade no interior do Rio de Janeiro. Indicada pela escola de inglês onde estudava, dei aulas para as crianças de 1ª a 4ª séries em uma escola local. Naquele tempo, rodava as atividades no mimeógrafo!!! Rsrsrsrs A Geração Y nem sabe que bicho é esse!

Um semestre depois, parti para um ano de intercâmbio cultural como bolsista do Rotary Club da pequena cidade onde morava e, no retorno, estava decidida a prolongar a belíssima experiência internacional pelo resto da minha vida! Feito! Prestei vestibular para Relações Internacionais em Brasília, passei e, aos 18, me mandei sozinha para a capital federal para estudar!

No último semestre do meu curso universitário, eu, apressada, já havia me casado, tido minha primeira filha Luciana e aberto uma empresa de intercâmbio cultural com o apoio do meu marido, meu grande companheiro para todo o tipo de loucura!

No início da minha carreira como internacionalista, o que eu fazia mesmo era me virar com todas as exigências, confusões e dificuldades de uma pequenina empresa brasileira de educação internacional. Foram alguns carnavais até que a coisa se tornasse internacional de verdade! E não posso reclamar! Fazendo o que gostava, rodei o mundo e assim comecei a me situar nessa Terra de meu Deus!

Com o tempo, a pequena empresa que eu dirigia com o meu marido, que havia deixado de ser apenas meu sócio capitalista para seu meu companheiro 24 x 7, se tornou destaque em vendas, em qualidade de atendimento, em eficiência e em crescimento dentre todas as unidades da rede paulistana à qual pertencíamos. Créditos para as estratégias de marketing e de gestão de pessoas totalmente intuitivas que, àquele tempo, faziam parte do nosso dia a dia. O marketing era obra do marido-sócio-marido e o RH o meu próprio laboratório.

Aos poucos, minha natureza professorinha organizada se transformou em uma paixão desenfreada por compartilhar com as pessoas aquilo que eu mesma ia aprendendo sobre o business e tudo que o rondava. Tinha um prazer incrível em dividir o que eu estava descobrindo! De professorinha passei então, a líder de desenvolvimento dos nossos funcionários de Brasília e daqueles dos nossos sócios pelo Brasil afora, os quais se apertavam em uma salinha para me ouvirem ensinar sobre tudo o que eu sabia e que me fazia vender tanto e tão bem, segundo o que os números indicavam.

Entre conferências bem organizadas, treinamentos diversos e um Centro de Serviço Compartilhado inaugurado, fui me apaixonando pela estratégia que envolve gente, atende gente, atrai gente, ensina gente, recompensa gente. Amo gente!!! Assim, a partir da prática, fui estudar e me especializar na ciência que eu já praticava sem saber e sem escolher!

Ironicamente, uma falência 10 anos depois me empurrou para a única outra coisa que eu sabia fazer: cuidar de gente! E foi assim que eu descobri que a paixão e a crença no potencial das pessoas ultrapassavam os limites da minha propriedade e começava a irradiar para qualquer outro lugar que tivesse um ser humano para contratar, um grupo para treinar, uma avaliação para realizar, uma estratégia para pensar! Apaixonadamente, comecei a dividir com outros empresários minhas crenças acerca do valor das pessoas e sua importância para os resultados de suas empresas. Eu estava empolgada, entusiasmada com o que estava sendo dito nos livros e palestras acerca da Era do Conhecimento. O conceito estava em alta e eu tinha pressa em fazê-la acontecer em toda a parte! Louca.

Hoje, é essa a loucura que ainda me impulsiona a descobrir o lugar onde minha paixão seja bem-vinda! Onde a criatividade e as ideias sejam mais valorizadas do que a obediência cega ao status quo organizacional! Onde as pessoas sejam livres para pensar e convidadas a compartilhar aquilo em que acreditam.

Mais simples do que isso, minha louca paixão quer ajudar a construir espaço onde as pessoas sejam verdadeiramente valorizadas por aquilo que têm capacidade de criar e produzir. Lugar onde este discurso batido de valorização das pessoas seja transformado em valor verdadeiro. Lugar onde elas, as pessoas, sejam mais importantes do que o dinheiro na teoria E na prática. Tão simples de entender, tão fácil repetir e tão difícil de praticar…

Procuro este lugar. Se você encontrar, por favor compartilhe para que eu possa novamente me apaixonar!

Simone Maia

São Paulo, agosto 2014.