O Tempo – Second Round

Por alguma razão que ainda não identifiquei, o mês de janeiro me apresentou diversas oportunidades de refletir e aprender sobre o tempo – o uso do tempo, o passar do tempo e como aproveitar o tempo.

Entre dez de janeiro e ontem, sete de fevereiro, nossa casa que é normalmente calma e silenciosa, esteve deliciosamente cheia e agitada. Cheia de gente, cheia de barulho, cheia de comida, cheia de festa, de alegria e, cheia de vida! Perdi as contas de quantas mesas a gente arrumou, quantas garrafas de café a gente coou e quantas rolhas de espumante pularam alegremente das garrafas que nos proporcionaram brindes por estarmos juntos e saudáveis.

Nesse contexto eu tive que organizar meu tempo de uma forma diferente do usual, a fim de adaptá-lo a esse agito maravilhoso e intencional dentro de casa. E foi aí que descobri que nos últimos anos eu desaprendi a dividir e compartilhar meu tempo. No início da “temporada de visitas” (risos), eu sentia que existia um magneto dentro do escritório onde trabalho aqui em casa que me atraía quase que cem por cento do tempo; um magneto acompanhado de uma voz que sussurrava que eu tinha que terminar rápido o que eu estivesse fazendo para ir sentar em frente ao computador. Planejei férias em casa em alguns dias ao longo desse período e mesmo nesses dias, algo interno sinalizava que as coisas estavam fora do lugar.

Bem, tive um trabalho mental e emocional imenso para realinhar meus pensamentos e sentimentos para que pudesse usar o tempo e aproveitá-lo de uma forma diferente da rotina usual que combina 85% do tempo trabalhando quietinha e sozinha e 15% fazendo “todo o resto”. Foi necessário ressignificar o tempo em casa para conseguir curtir e viver tudo o que estava acontecendo. E eu repetia pra mim mesma: “Simone, preste atenção! Olhe ao redor! Seus pais estão brincando no jardim com a sua neta! Seu filho saiu de São Paulo e veio para Brasília três vezes em apenas 1 mês. Preste atenção ao fato de que sua filha, que mora aqui no mesmo bairro, arrumou a mala dela, marido e filhinha para dormir aqui também porque o irmão chegou e os avós estão em casa! Olhe a casa cheia de amores, Simone. Viva esse momento, Simone”.

E foi nesse cenário de beleza e alegria que eu decidi (re)tomar as rédeas do tempo do qual disponho, ao invés de seguir respondendo a demandas várias, em um estado de disponibilidade absoluta para aquilo que é externo a mim mesma.

Noto que a partir do momento em que tivemos acesso à tecnologia e trabalhar de qualquer lugar utilizando nossos computadores levinhos e nossos celulares potentes passou a ser tão normal quanto dormir todos os dias, tudo ficou muito misturado mesmo – as linhas que antes separavam claramente nossos espaços existenciais ficaram fininhas e fraquinhas, facilitando a transposição de limites entre os hemisférios de nossa vida. Para os que amam trabalhar como eu, fica a reflexão sobre a necessidade de reaprender a enxergar e viver as várias facetas da vida, mesmo sem a clara definição das linhas. Elas não voltarão a ser tão fortes e definidas nunca mais. Logo, cabe mesmo a nós a administração do usufruto do tempo, e não apenas do uso do tempo.

E assim compartilho alguns dos meus aprendizados do mês. Alguns são novos e outros são uma releitura de lições antigas. Aqui estão:

  1. Não deixe ‘a vida te levar’ quando o assunto é o uso do tempo. Associe intencionalmente o uso desse recurso às tuas prioridades de vida.
  2. Trabalhe intensamente e defina claramente suas próprias linhas para separar o trabalho do seu usufruto: separe tempo para o que você gosta, ao invés de fazer o que você gosta no tempo que sobra do seu trabalho. Usando a expressão que uma amiga disse há pouco, não deixe a vida engolir você!
  3. Não é sempre que podemos estar juntos dos nossos amigos e amores. Por isso aproveite ao máximo a presença deles quando os encontros forem possíveis. Sorva os momentos com a alma.
  4. Lute para afastar qualquer sinal de preguiça da sua vida e aprenda a diferença entre ela, a preguiça, e o descanso.

E agora que chego ao fim deste artigo, já entendi por quais razões o último mês me trouxe incontáveis oportunidades de refletir e aprender sobre o tempo. Ao reler o texto, cheguei a apagar a primeira frase, mas voltei atrás e deixei assim mesmo para que eu possa me lembrar de que sempre é possível (re)aprender.

Desejo um excelente USOfruto do seu tempo!

Simone Maia, em casa, 08/fev/2025.

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